Semana On

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fisk e a caixa postal

Muito interessante o artigo “Plots, sense and nonsense: the view from the post bag”, do jornalista britânico Robert Fisk, do The Independent. Autor de pérolas sobre o Oriente Médio – como o livro “A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio” (minha leitura atual) – ele analisa neste artigo os comentários que recebe no espaço Carta do Leitor, do periódico inglês, a respeito da carnificina em Gaza. O blog do Azenha disponibilizou o artigo em português. Vale a leitura.

Poesia

o avesso do desejo

te encontraria
no deserto
às dez e meia
tonto de luz
passos trôpegos sobre a areia movediça

eu te desnudaria
meio-dia
sol a pino
e te manteria prisioneiro
até que tingisse
a tua pele
o mais negro ou rubro tom
e cegasse os teus olhos, o sol da tarde.

te abandonaria então
nu e insone
meio às sombras
sem sonhos
onde te escondias das noites quentes
de antigos janeiros.

por fim partiria
liberta
de ti
e do cárcere gelado
dos interditados verões do teu amor

desejo ao avesso
ainda pulsando em mim

Márcia Maia

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fidel traidor?

O ex-guerrilheiro cubano Daniel Alarcón Ramírez, o "Benigno", acusa Fidel Castro de ter traído Che Guevara a mando de Moscou. Alarcón Ramirez diz que a morte de Che resultou de uma conspiração urdida por Fidel e pela União Soviética.

Best Blogs Brazil 2008

Confira os resultados do Best Blogs Brazil de 2008.

Melhor blog de Artes e cultura: Amálgama
Melhor blog de Automóveis: Velocidade
Melhor blog de Ciências: Brontossauros em meu jardim
Melhor blog de Cinema, música e TV: Poltrona
Melhor blog Corporativo: Papo de empreendedor
Melhor blog de Culinária: Homem na cozinha
Melhor blog de Design: Bem Legaus
Melhor blog de Educação: Rastro de Carbono
Melhor blog de Entretenimento: Sedentario & Hiperativo
Melhor blog de Esporte: Blog do Juca
Melhor blog de Games: Continue
Melhor blog de GLBT: Papel Pop
Melhor blog de Humor: Kibe Loco
Melhor blog Jurídico: Direito e trabalho
Melhor Metablog: Twitter Brasil
Melhor blog de Negócios e finanças: Dinheirama
Melhor blog de Pessoal e cotidiano: Planejando meu casamento
Melhor blog de Política: Pedro Doria
Melhor blog de Publicidade e Comunicação: Brainstorm #9
Melhor blog de Quadrinhos: Malvados
Melhor blog de Religião e esoterismo: Isso é bizarro
Melhor blog de Saúde: Contrapeso
Melhor blog de Sexo: Boteco sujo
Melhor blog de Tecnologia: Gizmodo Brasil
Melhor blog de Turismo: Vida de Viajante
Melhor blog de Universo Feminino: Melhor Amiga
Melhor blog de Universo Masculino: Papo de homem
Melhor Design: Sedentário & Hiperativo
Melhor Podcast: Nerdcast
Melhor Blog: Blog do Tas

Poesia

dou ao mar a gravidade dos meus lábios
a pueril imagem

ao coração
os olhos sitiados.

Maria Gomes

sábado, 24 de janeiro de 2009

Poesia

Esperança

Enquanto em vossos pratos haja um pouco de mel
Espantem as moscas dos pratos
A fim de conservar o mel
Enquanto haja cachos de uva nos vinhedos
Expulsem as raposas
Ó guardiões de vinhedos
A fim de que amadureça a uva
Enquanto fique em suas casas
Uma toalha... e uma porta
Protejam do vento os pequenos
A fim de que os filhos durmam
Vento... trio... fechem as portas
Enquanto em suas artérias haja sangue
Não o dilapidem
Pois em vocês há recém-nascidos..
Enquanto haja fogo na lareira
E café... e uma braçada de lenha.

Mahmud Darwich

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Trabalhando

Desde ontem (quinta) estou envolvido em um projeto de trabalho que só termina no domingo, portanto não postarei nestes dias, além do que já havia programado. Até segunda.

Ah, tá, agora entendi - VIII

Espera aí, deixa ver se entendi.
Israel confina 1,5 milhão de pessoas em uma área de 360 km², o que configura a mais alta densidade demográfica do mundo com mais de quatro mil pessoas por km² e diz que as vítimas civis de seus bombardeios a Gaza ocorrem porque o Hamas as usa como escudos?
Sim.
Ah, tá, agora eu entendi...

Desculpas

Aqui, sentado na realidade
Paro com assombro
Com mar salgado nos olhos
E me lembro de mim

Atolado em palavras
Te olho enviesado
A tecer crianças vazias
E peço desculpas todos os dias
Por ainda sorrir

Aqui, sentado na realidade
Tento um suspiro
Com as mãos crispadas
Me despeço de ti

Suspenso em amarras
Te vejo calado
A aceitar promessas frias
E peço desculpas todos os dias
Por me eximir

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay

No ano passado (entre os 12 e 23 de novembro), o jornalista carioca André Fischer realizou a 16º edição do Festival Mix Brasil. O evento, pioneiro na abordagem da temática gay no país, começou a ser construído no imaginário de Fischer na década de 90, quando passou uma temporada em Nova York. Em 1993, foi convidado para ser curador de uma mostra de filmes brasileiros no conhecido festival gay da cidade e, de volta ao Brasil, foi chamado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS), de São Paulo, para organizar um evento similar.

O resultado foi a realização do 1º Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual, que contou com mostra de cinema, festas e exposições sobre gays, lésbicas, travestis e, como define Ficher, reuniu “pessoas com atitudes, comportamentos, caminhos de vida e opções sexuais pouco convencionais”. Daí em diante o negócio se desenvolveu a ponto de confundir o Guinness 2008 (o livro dos recordes) que afirmou ser o Mix Brasil “o maior festival gay do mundo”. Modesto, Fischer corrigiu o erro. É o segundo.

O sucesso do Festival Mix Brasil abriu novas possibilidades para que o agitador cultural ampliasse o raio de ação do projeto e a criação do portal Mix Brasil foi a conseqüência direta disso. O portal é um fórum de discussões para gays, lésbicas e simpatizantes, um espaço de convivência desta comunidade e sua função é informar e criar espaços para troca de informações. Além da central de notícias, o portal oferece rádio e tevê digitais. Hoje, o Mix Brasil é considerado o maior portal do gênero na América Latina.

Fischer também é escritor, tradutor e dj. Em 2005 publicou "Sozinho na Cozinha", no qual ensina receitas para solteiros, em 2007 foi a vez do “1º Almanaque de Banheiro”, em parceria com Renata Laureano e, em 2008, publicou “Como o mundo virou gay”. Como tradutor Fischer trabalhou – em 2003 – no livro “Dicas de sexo para mulheres por um homem gay” (de Dan Anderson e Maggie Berman) e, e em 2004, traduziu “Como se livrar de saias justas” (de David Borgenicht, Jennifer Worick e Joshua Piven).

Na tarde da última quarta-feira (21), André Fischer concedeu ao Escrevinhamentos uma entrevista por telefone cujo tema girou em torno da relação entre a mídia e os gays. Confira a seguir os melhores momentos deste bate-papo.

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Porque um portal especializado no público gay?
Eu trabalhava com computação gráfica e publicidade nos anos 90. Nesta época tive contato com a internet. Junto a isso, surgiu a possibilidade, por meio do Festival Mix Brasil de cinema e vídeo e, posteriormente, através do BBS MiX Brasil, de ampliar o projeto para um portal onde pudéssemos informar as pessoas e estabelecer um fórum de discussões permanente para um grupo que chamamos gays, lésbicas e simpatizantes (GLS). Foi um processo natural. O Mix Brasil, como organização, existe, portanto, desde 1993.

Como a mídia convencional trata este público?
Acho que há uma simpatia condescendente. Esta relação evoluiu bastante e hoje, geralmente, o gay é tratado de uma maneira respeitosa, dentro do politicamente correto. Há lugares muito piores pelo mundo. Mas, é sempre dentro dos limites do politicamente correto. As novelas, por exemplo, tem personagens gays, tem casais gays, embora estes relacionamentos não se desenvolvam. O noticiário cobre as paradas gays. Há um acompanhamento respeitoso.

Mas há preconceito na mídia convencional?
Acho que sim. Não adianta, quando se fala de mídia, 50% é Globo. É lá que esta discussão aparece de forma mais clara. Talvez, o melhor exemplo do tratamento dado pela mídia à questão esteja no tabu do beijo gay na tevê. A Globo é uma emissora comercial que é simpática aos gays, sempre retrata personagens gays em novelas de maneira positiva, mas tem um receio de ir além disso. Não sei até que ponto este receio é real, mas há um episódio recente que é emblemático: foi quando, na última novela das oito (A Favorita), a personagem de Paula Burlamaqui (Estela) se declara para Catarina (interpretada por Lília Cabral), uma dona de casa. As donas de casa trocaram de canal. Houve queda de audiência. A Globo tem que ter uma responsabilidade social, mas tem que ficar de olho na audiência. Estes tabus têm que ser quebrados aos poucos.

É papel da arte quebrar estes tabus?
Da arte, sim, mas não sei se considero novela uma arte, é um entretenimento comercial. Cinema, teatro, linguagens que possuem públicos mais específicos, são diferentes. Um filme pode se arriscar a falar para um público mais específico. A novela tem mais uma obrigação comercial, se não atingir os 40 pontos de audiência, uma novela das oito terá problemas estruturais.

É objetivo do portal Mix Brasil acompanhar as políticas públicas e os direitos civis dos gays no Brasil?
Desde sempre. De cara a central de noticias é a nossa maior audiência. Mesmo que estas notícias não sejam as mais acessadas, são informações que atingem os ativistas e a militância gay. Estamos jogando estas informações junto ao entretenimento e elas têm o seu espaço.

O público do portal o utiliza para denunciar o preconceito e para se informar sobre este aspecto?
Usa muito e é engraçado isso. Este noticiário de militância tem uma repercussão muito grande na comunidade, uma repercussão muito mais ampla do que o número de acessos que contabiliza. São as notícias menos clicadas, mas que têm mais repercussão. São informações que replicam na comunidade. Um beijo gay da Britney Spears tem muito mais acesso do que a denúncia de preconceito feita por um grupo de ativistas. No entanto, a repercussão desta última notícia é muito mais forte.

No final do ano passado, a Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS) teve, pela segunda vez, negado pela Câmara Municipal de Campo Grande o recebimento do título de utilidade pública municipal, apesar de ter o mesmo título no âmbito estadual e federal e cumprir todos os requisitos para tal. A concessão esbarrou na objeção das bancadas evangélica e católica da Casa. O preconceito ainda impera no Brasil?
Acho que vivemos uma série de avanços, mas para cada dois avanços temos um retrocesso e por isso a luta e o papel da militância têm uma importância tão grande. Vou bastante à França e tenho muitos amigos por lá que participaram de militância e que dizem que lá resta pouco a ser conquistado. Eles têm os direitos básicos, de casar etc. Falta apenas o direito de adotar. Os direitos básicos foram conquistados por lá e a militância, por isso, é menos articulada. No Brasil é diferente. Por conta destes retrocessos é que temos que reafirmar a necessidade de uma militância forte. Estas notícias negativas deveriam funcionar como estímulo para a batalha contra o preconceito.

O gay brasileiro é engajado?
O brasileiro não é engajado, não adianta cobrar isso de forma específica dos gays. Antes de sermos gays, somos brasileiros. A diferença é que somos um grupo que tem de ser mais engajado, pois nos faltam os direitos civis básicos, que devem ser garantidos. Deveríamos ser mais engajados por isso.

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