Semana On

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Esquerda e Direita

Me sinto muito confortável com o pensamento de Mino Carta sobre esquerda e direita. Portanto, ao invés de elucubrar sobre o tema, repito aqui algumas de suas tiradas que mais me agradam a respeito do assunto.

“Há quem encha a boca, o papel, o ar, com palavras como esquerda e direita. Como dizia Raymundo Faoro, há países onde a dicotomia é menos abrupta, digamos assim, que no Brasil. Aqui ela se manifesta, e como. Mesmo assim, muitos se dizem de esquerda sem ser, por ignorância ou oportunismo. Também conviria definir com precisão o que direita significa. Há diferenças mais ou menos profundas entre um fascista e um conservador, entre um senhor de escravos (tem vários por aí), e um liberal reformista. Meu pai era um liberal (nada a ver com neoliberal) e foi preso pelos fascistas durante a guerra.”

“Não precisa ser de esquerda ou direita, basta ser crítico, democrático, consciente, ético. Quanto a mim, não hesito em me dizer de esquerda, sem que isso impeça meu apreço por pessoas que não concordam comigo.”

“O que Bobbio sustenta é a impossibilidade de se extinguir a eterna dicotomia: Deus e Diabo, luz e sombra, Bem e Mal, direita e esquerda. E enquanto houver desvalidos no mundo, haverá esquerda, ou seja, homens empenhados na busca da igualdade.”

“Fidel Castro liderou uma grande revolução popular, e por isso, foi de esquerda. E há muito de esquerda em vários dos seus comportamentos do seu governo. Mas a supressão de liberdades fundamentais é, na minha opinião, de direita.”

“Entendo que toda ditadura, mesmo com raízes à esquerda, acaba por tornar-se de direita.”

“Para mim, ser de esquerda implica um gênero de idealismo que, ao cabo, não se coaduna com totalitarismo e seus dogmas. O poder absoluto na prática é o mesmo do papa e das monarquias por direito divino, é o das sociedades leoninas, aquele de quem pretende encarnar a verdade definitiva e irrecorrível.”

“Ditaduras, mesmo nascidas à esquerda, descambam para a direita. É o que se dá quando liberdade e igualdade são aquelas impostas pelo ditador.”

“Igualdade tem como premissa a liberdade. Se falta esta, falta aquela. Para mim, ditaduras sempre acabam com perfil igual, ao menos na substância. Sim, está claro que o regime soviético proporcionou grandes avanços e sob o ditador Stálin foi um dos dois principais vencedores da Segunda Guerra Mundial. Também perpetrou monstruosas chacinas, perseguições de inaudita ferocidade, crimes hediondos. Stálin eliminou um a um seus inimigos internos e teve em Beria um verdugo implacável. Nada disso, no meu entendimento, é de esquerda.”

“Quando falo em igualdade, sonho idealmente com uma sociedade equilibrada, laica, republicana e democrática, justa na distribuição da riqueza e capaz de oferecer igualdade de oportunidade a todos. É quimera? É possível, é provável. Tal é, porém, um projeto ética e politicamente irrepreensível.”

“Sou de esquerda, está claro, mas coloco a ética na frente da ideologia. E prezo minha independência. Pois é, a ideologia: para muitos, substitui a religião. Veneram seus santos e aceitam seus dogmas. À direita e à esquerda.”

“Dizem que as ideologias estão no cemitério. É como se ninguém tivesse direito às suas idéias. Claro que certas ideologias, derrotadas na sua prática, morreram de morte morrida. Não faltarão outras, novas em folha.”

“Acho que antes da ideologia vem a ética. É dela que decorrem a busca da igualdade e o reconhecimento de que a liberdade por si só não basta, e exige as indispensáveis limitações da lei. É a ética que não nos permite viver em paz em um mundo e em uma sociedade desiguais. Não há consciência ética em quem aceita a miséria do semelhante como fato corriqueiro, normal, natural. Este, diria Norberto Bobbio, não é de esquerda.”

Pessoas que acreditam em coisas

Sensacional a crônica "Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas", de Alex Castro. Vale a leitura.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A experiência é o melhor mestre

Frases - XXXIX

“E por falar em jornalismo, ocorre que a objetividade é uma falácia. E também pecado de orgulho: quem se diz objetivo afirma-se dono da verdade. Inevitável é a subjetividade, que se manifesta até na mais tímida das vírgulas. Objetividade é a do instrumento, da máquina, da minha Olivetti. Quem a manobra sou eu. Aos jornalistas peçam, isto sim, a honestidade, e esta se alicerça, a meu ver, em três pontos básicos: fidelidade canina à verdade factual (eu me chamo Mino e batuco na Olivetti); exercício desabrido do espírito crítico; fiscalização do poder onde quer que aja.”
Mino Carta

sábado, 17 de janeiro de 2009

Drácula - Bram Stoker

Terminei ontem de ler Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker. Escrito em 1897, o livro é o mais famoso conto sobre vampiros da literatura.

O Conde Drácula do livro de Bram Stoker pode ter sido inspirado no príncipe Vlad Tepes, que nasceu em 1431 e governou o território que corresponde à atual Romênia, nesta época dividida entre os mundos cristão e muçulmano. Vlad III ficou conhecido pela perversidade com que tratava seus inimigos. Embora obviamente não fosse um vampiro, sua crueldade alimentava o imaginário popular.

O pai de Vlad III, Vlad II, era membro de uma sociedade cristã romana chamada Ordem do Dragão, criada por nobres da região para defender o território da invasão dos turcos otomanos. Por isso Vlad II era chamado de Dracul (dragão), e, por conseqüência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão) - a terminação "ea" significa filho. A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (diabo) que foi aplicado aos membros da família Draculea por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos.

O livro é recheado de interesantes passagens nas quais a sociedade inglesa do fim do século 19 contrasta com as luzes do século 20. A leitura torna-se maçante e prolixa em muitos trechos, em especial nas confidencias de amor das cartas trocadas pelas personagens femininas, mas tem bons momentos, em especial as passagens que abordam a relação entre o “alienista” dr Seward e seu paciente, mentalmente escravizado por Drácula, sr. Renfield.

A seguir, aguns trechos e momentos que me chamaram a atenção dentro do contexto da obra.

“Aprendi a jamais desdenhar da crebça de ninguém, por mais estranha que seja”

“Não consegue admitir que ainda exietem muitas coisas que sua percepção não compreende, e todavia elas estão aí. Assim como também não pode acreditar que convivemos com certas pessoas capazes de ver coisas que nós outros, simplesmente mortais, nem poderemos imaginar. Existem, entretranto, coisas novas e antigas que não devem ser contempladas por olhos humanos, simplesmente porque sabem... ou pensam que sabem... determinadas coisas que vêm sendo segregadas a outros seres igualmente iniciados”

“... conforme diz o chavão popular escocês, não gosto de forma alguma de comp´rar ‘gatos em sacos’”

“Oh! Esta maravilhosa Sra. Mina! Ela é dotada de um cérebro de homem, um cérebro que somente poderia pertencer a um homem privilegiadamente bem dotado... e um coração de mulher.”

“...eles querem usar de sagacidade contra mim... contra mim, que comandei nações e teci mil intrigas entre elas; e que combati por elas, muitos séculos antes de eles terem nascido”

Dica de blog

Interessante o blog do jornalista Gustavo Chacra, que está no Oriente Médio, de onde escreve para o jornal O Estado de São Paulo.

Objetores de Consciência



Jovens israelenses que se recusam a integrar as forças de ocupação do exército de Israel em Gaza e na Cijordânia, os chamados “shministim”, ainda estão presos. O grupo “Vozes judaicas pela paz” lançou em 18 de dezembro uma campanha pela libertação destes objetores de consciência. O abaixo-assinado para o governo israelense pode ser assinado aqui.

Protógenes sofreu atentado no Rio

“Comunico ao povo brasileiro e aos internautas que no dia 15 de janeiro de 2009, por volta das 15:00 hs, sofri o primeiro atentado quando dirigia automóvel deslocando do Jardim Botânico com destino a Niterói, ato contínuo, ainda no JB o radiador de água quente explodiu causando uma nuvem de fumaça muito grande e explosão do painel do veículo. Resultado sofri queimaduras de primeiro grau nos pés e lesões no corpo… Desejo ao Daniel Dantas e comparsas SAÚDE e PAZ, que a verdade se revelará…”

Extraído do site do delegado Protógenes Queiroz. Veja a íntegra do post.

Gaza: para ler e refletir V

Vídeos
Alguns vídeos bem ilustrativos sobre o massacre em Gaza, selecionados pelo jornalista Luiz Carlos Azenha.

Norman Filkenstein dá nome aos bois. Amálgama traduz
Os registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do seu ministério das Relações Exteriores. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinos, dia 4/11. Depois, o Hamas respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel, “o Hamas retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Os fatos sobre o Hamas e os ataques a Gaza
O Haaretz informou que o ministro da Defesa de Israel começou a planejar o massacre muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo...

A “transferência compulsória” palestina
Este texto – uma resenha de The ethnic cleansing of Palestine, do historiador israelense Ilan Pappe – foi publicado em maio de 2008 no site da revista Caros Amigos. Como o bombardeio israelense iniciado no dia 27 de dezembro na Faixa de Gaza – a pretexto de combater o terrorismo e que se estenderá “pelo tempo que for necessário”, segundo o ministro da Defesa Ehud Barak – é apenas mais uma etapa da limpeza étnica (pensada e executada com frieza, como se verá) empreendida pelo Estado de Israel desde 1948.

Conflito ou massacre?
Qualquer manual de jornalismo ensina que em nome da imparcialidade, da honestidade, da igualdade, e de outras qualidades sem rima, o jornalista deve sempre ouvir os dois lados da notícia. Qualquer manual ensina que o repórter deve ouvir as duas versões, dar-lhes igual destaque, se deseja ser testemunha objetiva do que vê. Mas qualquer leitor sabe que tal exigência de manual é inalcançável. Nem tanto por ser próprio da natureza humana a parcialidade, mas porque é infinito o cinismo do grande mundo.

Israel é campeão de oportunidades perdidas
Aproxima-se o dia em que Israel terá saudade do Hamás. Um dia, Israel perguntar-se-á por que não se reuniu e conversou com os líderes do Hamás. Quando esse dia chegar, estaremos ante ameaças muito maiores. Para mim, está bem claro que essa é lição muito amarga, que a história ensinará a Israel.

Israel bombardeia jornalistas "inimigos"
Para os profissionais de imprensa que estão na Faixa de Gaza, a palavra "bomba" já não tem apenas sentido figurativo

Gaza em imagens
O Blog The Big Picture do jornal Boston.com traz imagens de tirar o fôlego. O pano de fundo é a guerra na Faixa de Gaza.

Veja: mais perdida que cego em meio de bombardeio
A revista, como é sabido, é o farol do Ocidente no choque de civilizações...

Os fatos sobre o Hamas e os ataques a Gaza
O Haaretz informou que o ministro da Defesa de Israel começou a planejar o massacre muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo...

Frases - XXXVIII

“Ingênuos especialistas em coisa nenhuma vêem as lutas dos palestinos contra o poderoso estado de Israel (terrorismo à parte, embora a muita gente dos dois lados interesse confundir as duas coisas) como mero ressentimento, inveja, direcionado a um grupo de 'colonizadores' bem-sucedidos, que com empreendedorismo e méritos próprios conseguiu vencer a miséria típica de seus incapazes vizinhos árabes; ressentimento que, por extensão, também mira os Estados Unidos, os grandes 'civilizadores' do mundo cristão-judaico ocidental.”
Daniel Lopes