Semana On

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Zeca do PT torna-se réu por peculato após 19 denúncias

A Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou denúncia criminal por peculato movida pelo Ministério Público Estadual contra o ex-governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT. É a primeira vez, após dez denúncias cíveis e nove criminais, que ele se torna réu em um processo relacionado ao suposto esquema de desvio de verbas que, diz a Promotoria, foi operado durante seu governo (1999-06).

Deu hoje no Jornal Folha de S.Paulo e no jornal O Estado de MS. Pincei do Blog do Noblat.

Eu e o "homi", o "homi" e eu

Vida de jornalista não é fácil. Hoje estamos aqui, amanhã acolá. Na foto ao lado, aguardando o Obama me passar a bola, ainda encontrei tempo para um sorriso maroto...

;) Incrível o que faz o photoshop.

Sessenta anos de utopia

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”

Completou 60 anos nesta quarta-feira, 10 de dezembro, a Declaração Universal de Direitos Humanos. O professor Carlos Chaparro diz que “por trás de cada um dos trinta artigos da Declaração há multidões de heróis, na maioria, anônimos protagonistas de lutas por meio das quais, ao longo de milênios, se fez a ainda inacabada História da Cidadania”.

No último dia 6 o jornal O Globo publicou reportagem na qual afirma a importância do texto mas aponta as dificuldades pra transformar em realidade um mundo onde todos tenham o direito de comer, liberdade de expressão e outros direitos básicos.

Manter a utopia viva, em meio aos arautos do conformismo é obrigação de quem acredita na possibilidade de um mundo melhor. Não fossem as utopias estaríamos ainda recolhendo frutos das árvores e adorando o fogo. Portanto, saudemos as utopias.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Artigo no OI

Meu artigo “O governador, os vadios e a imprensa”, postado aqui no dia 3, foi publicado nesta terça-feira no Observatório da Imprensa.

Quarenta anos depois do AI-5 continuamos sob censura

No próximo sábado fará exatos quarenta anos que o Ato Institucional nº 5 (AI-5) jogou uma pá de cal sobre a liberdade de expressão e demais direitos civis no Brasil. A medida reforçou a ditadura militar iniciada com o golpe de 64, estabelecendo um recesso forçado ao Congresso Nacional e às Assembléias Legislativas estaduais, dando plenos poderes ao general Costa e Silva para cassar mandatos eletivos, suspender direitos políticos, demitir ou aposentar juízes e outros funcionários públicos, suspender o habeas-corpus em crimes contra a segurança nacional, legislar por decreto, julgar crimes políticos em tribunais militares, dentre outras medidas autoritárias.

Entre 1968 e 1978, período em que esteve em vigência, o AI-5 serviu como base para quase três centenas de cassações (273 mandatos parlamentares, sendo 162 estaduais e 111 federais), foi acionado 579 vezes, puniu 145 funcionários públicos, 142 militares, 102 policiais, além de 28 funcionários do Poder Judiciário e baniu 80 oposicionistas.

Para os que exerciam na época o ofício do Jornalismo, um caráter especialmente sinistro do AI-5 foi o recrudescimento da censura nas redações de jornais, rádios e tevês. Um exemplo deste aprofundamento e de como ele incidia sobre os jornalistas pode ser visto no telegrama recebido em 15 de setembro de 1972 pelo diretor da surcusal de Brasília do jornal O Estado de São Paulo que dizia:

“De ordem do senhor ministro da Justiça fica expressamente proibida a publicação de: notícias, comentários, entrevistas ou critérios de qualquer natureza, abertura política ou democratização ou assuntos correlatos, anistia a cassados ou revisão parcial de seus processos, críticas ou comentários ou editoriais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira, ou problema sucessório e suas implicações. As ordens acima transmitidas atingem quaisquer pessoas, inclusive as que já foram ministros de Estado ou ocuparam altas posições ou funções em quaisquer atividades públicas. Fica igualmente proibida pelo senhor ministro da Justiça a entrevista de Roberto Campos.”

Ou seja, a liberdade de expressão havia sido jogada no lixo e com ela o papel da imprensa de buscar a verdade e repassá-la ao cidadão.

Não me alongarei mais sobre o AI-5. Quero, na verdade, atestar que ainda vivemos sob o tacão da censura. Os detentores do poder político e econômico sempre usaram e continuam usando todas a ferramentas disponíveis para estabelecerem mecanismos de controle sobre a liberdade de expressão, passando - nos últimos anos - por tentativas de reeditar a censura em termos mais palatáveis, incursões sobre a Internet, exemplificadas, por exemplo, pela recente censura ao blog de Pedro Doria ou pelo imbróglio que tirou do ar o site “Conversa Afiada”, que Paulo Henrique Amorim mantinha no Portal iG.

O jornalista Carlos Castilho, em 2007, apontou um exemplo singelo desta ingerência – significativo, no entanto, do ponto de vista da análise dos métodos usados pelos poderosos no intuito de usar a informação em seu proveito – comentando um caso no Observatório da Imprensa:

“A censura é legalmente proibida no Brasil. Mas existe: há uma série de jornalistas que não podem publicar sequer o nome de uma série de pessoas. A vítima mais recente da censura, agora, é o jornalista Vitor Vieira, gente fina, competente, que edita o site VideVersus. Vitor Vieira não pode, por ordem judicial, citar o nome do deputado estadual Alceu Moreira, do PMDB, candidato à presidência da Assembléia gaúcha. Vitor Vieira também está proibido de dar entrevistas, sob pena de pesadas multas. Uma pergunta que deve mobilizar os jornalistas, antes que a situação piore: qual a diferença entre a censura determinada por um juiz e a censura determinada por um general, ou coronel? Censura é censura e não pode ser aceita – ponto.”

Voltando à contemporaneidade, podemos, ainda, citar os indícios de manipulação da mídia por parte do banqueiro Daniel Dantas, pinceladas pelo delegado Carlos Eduardo Pelegrini Magro, que apontou a existência de jornalistas na "folha de pagamento" de Dantas.

Hoje, em especial no interior do País, longe dos “jornalões” e das cabeças de rede, o que impera é a censura econômica, por meio da qual os donos do poder definem o rumo das pautas de acordo com seus interesses. A fórmula é simples: divulga-se o que é do agrado dos poderosos e omiti-se o que vai contra seus interesses. Em contrapartida, jornais, rádios e emissoras de tevê locais passam a integrar o trem da alegria dos repasses de verbas publicitárias públicas (sem licitação, diga-se de passagem) e privadas (provenientes de empresas ligadas ao poder).

A censura econômica leva ao fortalecimento de uma prática sutil que sempre existiu e continua comandando o fazer jornalístico: trata-se da censura exercida pelo patrão sobre o profissional em seu próprio ambiente de trabalho. Esta censura, representada muitas vezes por um direcionamento editorial, tem colaborado mais para o apodrecimento do Jornalismo e de sua credibilidade do que qualquer outro tipo de manipulação externa.

Diz o jornalista sergipano José Araújo: “Nos períodos ditatoriais os meios de comunicação eram censurados por força das botinas e das leis cerceadoras. Hoje se vive liberdade política quase plena, entretanto, os meios de comunicação deixam cada dia mais a desejar. Informações superficiais, informações omitidas, informações parciais (só relatam os interesses dos donos das empresas de comunicação ou de quem as financiam). O jornalismo investigativo de há muito deixou de ocupar as páginas de nossa imprensa escrita, falada e/ou televisada. Tudo feito dentro dos padrões da empresa. Ou seja, os interesses políticos (todos os meios de comunicação do estado pertencem a políticos ou a empresários comprometidos com eles)”.

A pesquisadora Beatriz Kushnir, em sua tese de doutorado - Unicamp, 2001 – intitulada “Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988”, coloca o dedo nesta ferida que, certamente, nos incomoda. Afinal, nós, jornalistas, dificilmente nos damos ao trabalho de analisar com isenção os meandros da nossa profissão. Disse ela em entrevista ao JB Online, em 2004, referindo-se a confiabilidade e ao grau de independência que se pode esperar do Jornalismo.

“Creio que hoje compreendo que a imprensa é uma empresa de cunho privado que vende um serviço de utilidade pública. Mas, como destacou Cláudio Abramo, o jornal tem um dono e nele só sai o que o patrão quer. Tendo isso em mente, passa-se a ler, de forma mais realista, o que está impresso. Sabendo sempre que, no dia seguinte, o papel do jornal vai embrulhar peixe nas feiras. Mas o que nele está impresso pode ter mudado vidas de modo radical. Algo é fundamental não se perder: quem o compra deposita neste ato um pacto de confiabilidade no que está escrito. Quebrar esse acordo gera uma ambigüidade na apreensão do real que permite um sem-número de considerações. Assim, muitos pagaram pelo papel-jornal para saberem o que se passava nos seus mundos. Outros sofreram com o que estava impresso nessas páginas”.

O jornalista e sociólogo Jayme Brenner sustenta que não há possibilidade de manter imparcialidade ou independência (e, por conseguinte, manter-se ético) no jornalismo. No artigo “Mídia, assessoria de imprensa, poder e seriedade” ele cita exemplos de sua experiência nos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziliense, quando teve que amaciar reportagens que iam contra os interesses dos veículos e desafia: “... atire o primeiro ‘lead’ quem não deu uma forcinha para uma fonte, um político, um amigo ou uma empresa em suas matérias. A rigor, atire a primeira pedra quem jamais discutiu uma matéria com uma fonte de confiança...”.

Quem tem a mínima experiência dentro de uma redação sabe que a ética acaba no momento em que começa o interesse do patrão. Manter o público e o privado caminhando lado a lado, sem tropeços nestas searas é tarefa hercúlea.

Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (Nemp) da Universidade de Brasília, o professor Venício A. de Lima dá uma espanada na questão: “Qualquer estudante de jornalismo sabe (ou deveria saber), que imparcialidade e objetividade são princípios irrealizáveis na prática concreta da apuração e da redação de notícias, sejam elas de política ou de outra editoria. O que se busca no jornalismo sério e responsável é minimizar a contaminação da cobertura pelas preferências pessoais do(a) repórter e pelos interesses dos donos dos jornais, expressos nos editoriais e nas colunas de opinião dos respectivos veículos”.

Portanto, a questão que se coloca aos que querem debater de fato o futuro da profissão se resume em como podemos fazer frente, nós, simples mortais, às exigências do poder midiático enclausurado nas mãos do patrão mantendo, ao mesmo tempo, padrões éticos que nos permitam desenvolver um trabalho digno e enquadrado no que se define como missão do Jornalismo: a busca exaustiva da verdade, com independência e fidelidade ao leitor.

O resto é história para boi dormir.

Frases - XXII

"É muito tentador fazer de um veículo de imprensa um balcão de negócios, principalmente quando há quem deseje comprá-lo."
Pedro Doria

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Criacionismo e Evolucionismo

Antes de dizer qualquer coisa, aviso que, em minha opinião, a teoria evolucionista não exclui a existência de Deus, acreditemos nele ou não. Dito isso, vamos lá. Uma reportagem publicada hoje no Estadão, intitulada “Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências”, faz-me crer que estamos voltando ao obscurantismo – ou será que chegamos a sair dele?

Diz a matéria que as teorias do criacionismo e do design inteligente estão ganhando espaço nas aulas de ciência oferecidas nas escolas confessionais brasileiras (como o Mackenzie e o Colégio Batista), deixando o campo do ensino religioso e sendo tratadas como ciência. Assim, ao explicar a diversidade de espécies, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, os professores destas escolas dizem que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.

No artigo “O debate sabotado entre criacionistas e evolucionistas”, o jornalista Maurício Tuffani faz uma aprofundada análise sobre os argumentos de criacionistas e evolucionistas com base em artigos publicados sábado no jornal Folha de S.Paulo. Leitura indicada.

Olmert abre portas ao entendimento

Ainda sobre o posicionamento corajoso do premiê de Israel, Ehud Olmert, que no domingo disse que "a ação de judeus que apontam suas armas e disparam contra árabes em Hebron é um pogrom", vale ler a histórica entrevista que ele concedeu ao International Herald Tribune, traduzida ao português no blog do Pedro Doria.

Pressa

Vesti minha pressa
E olhei a vida correndo pela janela
Emoldurada de pernas e olhos
Se afastando pela esquina
Enquanto formava em minha boca
Uma palavra morta

Despi-me de nexo
E alcancei a porta que se abria
Amodorrada de cansaço e ferrolhos
Me aprisionando como imã
Enquanto lembrava em tua face
Um poema em prosa

Na esquina de minh´alma
Agarrei o porvir com unhas e dentes
Com gana de louco
Os olhos nas órbitas
A eclodir

E assim
Vestido de raio
Nu de mim

Me perdi

Erros que não se justificam

O premiê de Israel, Ehud Olmert, disse no domingo que "a ação de judeus que apontam suas armas e disparam contra árabes em Hebron é um pogrom", termo que designa um massacre genocida organizado.

"Somos filhos de uma nação que sabe o que é um pogrom. E digo isto após muita reflexão. Não tenho como descrever isso de outra forma", afirmou Olmert ao se reunir com seus ministros.

Olmert fez essas declarações um dia depois de uma ONG israelense ter divulgado um vídeo no qual um colono judeu atira de perto contra um grupo de palestinos na cidade de Hebron.

Esta foi a mais importante manifestação pública de um chefe de estado israelense, em minha modesta concepção. Independente que quem possa ter a razão nos meandros do conflito árabe-israelense, o primeiro passo para Israel caminhar ao lado da decência é não usar as mesmas armas das quais foram vítimas os judeus ao longo da história.