Semana On

domingo, 30 de novembro de 2008

Poema Dia estréia amanhã

A poesia é um ato solitário, fruto do que há dentro de nós. Nesta segunda-feira, um projeto simples pretende imprimir na solidão da poesia um sentimento de coletividade, de coisa feita ombro a ombro. Trata-se do projeto Poema Dia, um blog no qual cada dia do mês é adotado por um poeta ou mini-contista que, neste dia específico, posta um trabalho de sua autoria. Nossa nau parte nesta segunda-feira (1º de dezembro) com 15 tripulantes, outros embarcarão pelo longo caminho. Singraremos os mares bravios da literatura e da sensibilidade. Convido-os a compartilhar esta viagem conosco.

Frases - XVII

“Além de chafurdar em mediocridade, a nossa mídia é a mais hipócrita do mundo.”
Mino Carta

sábado, 29 de novembro de 2008

Poema para Mara

Quando olho para você
Vejo por dentro de ti
Ultrapasso teu olhar
Penetro seu sorriso
Seus cabelos, sua face

Olho por dentro da flor
Que em teu peito trazes

Quando olho para você
Ultrapasso o mar que me isola
Estanco esta dor que na aurora
Me faz despertar com medo

Olho por dentro da flor
E em sua boca me vejo

Quando olho para você

Mangueiras

Então vou nadear como Manoel
por entre as letras embaralhadas
nesta estrada de sons e de palavras.

Vou navegar nestas águas ribeirinhas
que se entrelaçam como sonhos
na cabeça dum louco.

Vou me afogar na areia
que em meus olhos se espalha
nesta terra sem montes, sem mar.

Então vou rir de tanta coisura
a bailar pelas voltas e retas desta cidade.

E mesmo assim o nada me invade,
me inunda a alma com boca
escancarada, repleta de tardes.

Que ainda me pego cheirando
sal de oceano, enquanto nos olhos,
apenas uma nesga de chão.

Mas não me meço por saudades
E nem por olhar pelos ombros
Que tombos muitos levei assim.

Então me aquieto olhando mangueiras.

Ando saudoso do Rio de Janeiro. Neste poema, parte do livro Outros Sentidos, tentei apaziguar esta ausência de referências.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

As concessões

Para quem se interessou pelo tema das concessões de tevê e rádio no Brasil, tratado aqui por meio do artigo “Concessões de tevê e rádio: velhas práticas políticas e o nosso conformismo”, vale checar artigo publicado hoje no Observatório da Imprensa, sob o título “Entidades denunciam omissão do Estado”.

Novas formas de Jornalismo

O jornalista Carlos Castilho voltou a escrever hoje, no Observatório da Imprensa, sobre as novas formas do “fazer jornalístico”, abordadas aqui no artigo “Um financiamento público para o Jornalismo?”. Em seu novo artigo, “A crise na imprensa transforma os EUA num laboratório da mídia”, Castilho traz novos dados ao debate, explicando a forma de financiamento do jornal Voice of San Diego, citando novas experiências de jornalismo financiado - como os jornais MinnPost (Minnesota) e Independent, da cidade de New Heaven - além de falar sobre as perspectivas de sobrevida destes experimentos. Vale checar.

O Xerife de MS

É curiosa a capacidade de expansão do ego. Alguns podem inflá-lo a proporções estupendas. É curioso também como personagens são criados e vendidos à mídia de forma tão fácil. É o caso do juiz federal Odilon de Oliveira que, instalado aqui em Mato Grosso do Sul (MS), desfila com vasta escolta policial pelas ruas de Campo Grande como um Antonio Di Pietro tupiniquim.

Odilon gosta de aparecer na mídia nacional, delicia-se sendo paparicado, aprecia ver seu nome citado por gente de renome – como tem ocorrido nesta semana. No entanto, com a mídia local é econômico.

O Xerife de MS, como gosta de ser chamado, construiu uma imagem de homem da Lei e a vende pelo interior em palestras e congressos. No entanto, há fatos e situações em sua biografia que deixam dúvidas quanto à legitimidade desta imagem.

Sugerimos, por exemplo, que o próximo jornalista que entreviste Odilon pergunte como é possível que ele combata o crime organizado e a corrupção no MS se seu filho, Odilon de Oliveira Junior, trabalha na Assembléia Legislativa por indicação do presidente da Casa, deputado Jerson Domingos, cunhado de Jamil Name, ambos notórios operadores do Jogo do Bicho no estado? Há aí, no mínimo, uma contradição profunda.

Artigo no Digestivo Cultural

Poema

Anjos com olhos de noite
Estendem as mãos
Em suave súplica
Guiam-me como pastores
Por caminhos antigos
Veredas escuras

Anjos negros, pastores de almas
Vagam na noite eterna
Rebentando o silêncio

Anjos de olhos escuros
Apontam ciladas
Em sorrisos ocultos
Guiam-me em meio ao vento
Por caminhos de pedra
Veredas de espinhos

Anjos negros habitam em mim
Sob meu olhar
Arranhando a retina

A morte do Jornalismo

Desde o início da semana circula pelos fóruns virtuais de discussão sobre o Jornalismo texto do jornalista Geneton Moraes Neto, repórter e editor do Fantástico, intitulado “Os jornalistas estão enterrando o jornalismo!”. Já foi alvo de elogios rasgados, críticas coerentes ou não e ironias pouco convincentes. Para mim, o texto de Geneton é soberbo e serve como um tapa na cara de muita gente que anda por aí de nariz empinado achando que faz Jornalismo de qualidade. Não vou reproduzir o texto aqui. Vocês podem lê-lo no Balaio do Kotscho, ou no Comunique-se (para quem é cadastrado por lá), entre muitos outros lugares. Comentários aqui, por favor.