Semana On

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Na surdina

O Decreto nº 6.640, de 07/11/2008, assinado ontem pelo presidente Lula, legitima a destruição de cavernas e grutas no Brasil. Tudo rolou como eles gostam, na surdina, sem nenhuma informação na Agência Brasil ou no Ministério do Meio Ambiente.

Obama e o biocombustível

Baixada a poeira, ânimos mais relaxados, é hora de olharmos com mais cuidado para questões pontuais que dizem respeito aos interesses brasileiros diante da eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos. Como será o relacionamento dele com o Brasil, em especial nas questões econômicas? Alguns garantem que ele será vantajoso para nós. É o caso de Shannon O´Neill, doutora em ciência política pela Universidade Harvard e pesquisadora do Centro de Relações Internacionais (CFR), que, em recente entrevista à jornalista Ângela Pimenta, do Portal Exame, disse que o Obama presidente será menos protecionista do que foi o Obama candidato.

Esta possibilidade gera expectativas promissoras para a produção de fontes de energia alternativas, como os biocombustíveis, setor que tem sido alvo de pesquisas de ponta no Brasil com o etanol proveniente da cana de açúcar, por exemplo. Os otimistas acham que a vitória dos democratas deve fortalecer políticas públicas de incentivo ao uso de combustíveis limpos, o que poderá beneficiar o Brasil com a diminuição de tarifas de importação. Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), entidade que representa os produtores brasileiros de etanol, concorda: “Durante a campanha ele (Obama) levantou a hipótese de ampliar o volume de etanol utilizado no país para 225 bilhões de litros até 2030 e investir US$ 150 bilhões em energia renovável durante 10 anos”, aponta.

Ocorre que, diferente de seu oponente nas eleições, o senador republicano Jonh McCain, que disse literalmente que "eliminaria a tarifa sobre o etanol de cana-de-açúcar importada do Brasil", Obama terá dificuldades em fazer o mesmo. Para isso, teria que enfrentar o poderoso lobby dos produtores de milho de Iowa e Illinois (Barack Obama é senador por Illinois), Estados fundamentais para a sua eleição e que tem no futuro presidente um aliado de primeira hora. É o que aponta David Verge Fleischer, cientista político e professor da Universidade de Brasília, para quem “o Brasil não pode alimentar esperanças porque não sabemos como os lobbies vão tratar essa questão no Congresso (americano)".

E o Congresso americano não costuma prejudicar os interesses na nação, sugere Shannon O´Neill: “Será interessante ver de que maneira o novo governo vai lidar com essa tarifa, especialmente em face da agenda maior que Obama tem para segurança energética. É verdade que essa questão é bastante difícil de ser superada em função de nosso processo legislativo. Vocês brasileiros também sabem como é difícil ver matérias importantes aprovadas em seu Congresso”, afirma.

Para Jaime Finguerut, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), será difícil para Obama contrariar os interesses locais nesta questão: "Barack Obama é de Illinois, um estado da região produtora de milho naquele país, e o foco do Partido Democrata é manter esse esquema de suporte à produção. No entanto, a produção de álcool via milho, apesar de ser a maior do mundo, não é sustentável, pois depende de recursos governamentais".

Uma estratégia que os americanos podem usar para driblar este empecilho parece estar escondida no fortalecimento de uma política de energia limpa, em especial para outros países. Esta bandeira, ligada à slogans fáceis da agenda verde, pode ser vista nas propostas de Obama para a Amazônia – onde sugere que a produção de etanol no Brasil pode contribuir para a devastação amazônica (veja em português aqui) - e nas entrelinhas de estudiosos do tema como Daniel Esty, diretor do Centro de Leis e Políticas da Universidade de Yale, para quem o potencial brasileiro em liderar a produção de energia limpa só será possível caso o País “se mostre comprometido com seu próprio território”. Diz Esty: “Creio que o compromisso real é ver o Brasil realmente empenhado no compromisso global de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. No momento o Brasil não está comprometido com reduções obrigatórias de emissões em seu próprio território”.

Daniel Esty foi um dos principais consultores da campanha de Obama no setor de energia e garante que o novo presidente americano trará “mudanças dramáticas” para o setor ambiental. Será que o etanol de milho será apresentado como carro chefe destas guinadas?

Provável se levarmos em conta a identidade de alguns dos principais colaboradores e investidores da campanha do democrata. O ex-senador Tom Daschle, por exemplo, que foi assessor de campanha de Obama, é diretor de três dos maiores grupos produtores de biocombustíveis dos Estados Unidos. O conselheiro para assuntos de energia, que acompanhou o presidente eleito durante o embate eleitoral, é Jason Grumet, conhecido lobista de produtores de etanol de milho. Ainda, é fato que os produtores de biocombustíveis estiveram entre os maiores financiadores da campanha de Obama. O próprio Obama disse recentemente que “a substituição do petróleo importado pelo etanol brasileiro não serviria aos interesses de segurança nacional e econômica dos Estados Unidos”.
Portanto, apesar dos urras e loas entoados mundialmente ao primeiro presidente negro dos Estados Unidos, é preciso olhar com cuidado para os nossos próprios interesses, e nos prepararmos para o embate econômico que se avizinha.

Pesos e medidas

Sofá lá de casa, amigos de trabalho, jantar, final de semana que foi. A senhora, dentista, tulipa de chopp na mão, castanha de caju nos dentes, reclama ao médico a sua frente sobre o valor pago pelos planos de saúde a “doutores” e odontólogos. Diz atender gente classe A e receber por um atendimento classe C. Propõe que os atendimentos sejam divididos em três tipos, A, B e C e que a remuneração seja de acordo com a classificação...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Brasis

A mãe não suporta negro, ela adora. Sentadas as duas de fronte para a TV Globo, ouvem o discurso de Obama. Toca o telefone. Do outro lado, o amigo traquina dispara: “Diz para ela que, agora, o homem mais poderoso do mundo é um negro”. Ela ri e dá o recado. “Ele é um negro claro”, responde a velha.

USP debateu obrigatoriedade do diploma

O debate "Obrigatoriedade do diploma", realizado na noite de 6 denovembro na Escola de Comunicações e Artes da USP, foi um grande avanço nessa polêmica que se intensificou no Brasil a partir da AçãoCivil Pública de outubro de 2001, proposta pelo Ministério PúblicoFederal de São Paulo. Mais informações em http://laudascriticas.wordpress.com

Frases - VII

“O furo de reportagem é válido, mas nem sempre o timing da imprensa é o timing da polícia. Se puder conciliar as duas coisas, magnífico. Mas na maioria das vezes não é possível, e o prejuízo para a sociedade e para o País é muito grande.”
Protógenes Queiroz

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Chefe

Após sofrer resistência de algumas editoras na tentativa de publicar seu livro, o jornalista Ivo Patarra decidiu disponibilizá-lo na íntegra na Internet. A dificuldade foi por conta do tema, considerado por muitos polêmico e incômodo: o escândalo do mensalão. Considerado a maior crise política sofrida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o termo se refere a um esquema de compra de votos de deputados, em 2006, em favor de projetos de interesse do Poder Executivo.

Mapas do Google para pesquisas

Comecei em outubro a usar a ferramenta Mapas do Google para pesquisas com enfoque jornalístico. Começo pesquisando os casos de agressão física e psicológica cometidos contra idosos no Brasil (veja artigo sobre o tema). Minha intenção é alimentar o mapa até outubro do ano que vem. Outros mapas de pesquisa serão adicionados paulatinamente. Os links estão na barra à direita. Aos coleguinhas: usem os dados à vontade, mas citem a fonte.

Corporativismo de branco

Um fato corriqueiro, que ocorre todos os dias Brasil afora, ganhou contornos inusitados na madrugada desta segunda-feira, em Dourados (MS). O médico José Pedro de Souza Schwab, 49, foi preso por omissão de socorro ao idoso Esperidião Ovando, 73. O paciente, proveniente do município de Tacuru, havia sido diagnosticado com um quadro de acidente cerebral hemorrágico e daria entrada no Hospital de Urgência e Trauma de Dourados após ter tido sua vaga solicitada na Central de Internação da Secretaria Estadual de Saúde.

O médico Wesley Giovany Pereira, que acompanhava o idoso, disse ter sido insultado por José Pedro, responsável pela chefia do Hospital, que avaliou que o paciente apresentava um quadro estável e não precisava ser internado. Revoltado, Pereira acionou a Polícia Militar que encaminhou o exaltado José Pedro para o 1° DP, onde prestou depoimento e foi liberado no início da madrugada de hoje.

O caso gerou desconforto generalizado em um Estado governado por um médico, cuja capital é administrada por um médico e que tem médicos espalhados por muitos pontos chave da administração pública. O secretário municipal de Saúde de Dourados, João Paulo Esteves (odontologista), o deputado federal Geraldo Resende (médico) e vários outros colegas de trabalho de José Pedro foram à delegacia protestar contra o ocorrido. Para completar, a Associação Médica de Dourados ameaçou interromper o atendimento no Hospital de Urgência e Trauma em protesto contra a ação da polícia.

Que belo exemplo. Mesmo que a ação da polícia tivesse sido equivocada quem pagaria por isso seria a população...

Este caso é um exemplo claro da sensação de impunidade que graça entre uma generosa fatia dos profissionais da medicina no Brasil. No País do corporativismo, olha-se o próprio interesse ao invés dos interesses públicos e entre a classe médica esta prática supera todos os níveis aceitáveis. O corporativismo médico no Brasil é um dos mais retrógrados e anti-sociais. Os médicos brasileiros jamais se dispuseram a discutir abertamente os descaminhos para os quais muitos colegas empurraram a profissão. Parceiros de Deus, arrogantes, sua infalibilidade não pode ser posta em questão.

Em 1976 o jornal O Pasquim já denunciava o que batizou à época como a Máfia de Branco no Brasil. De lá para cá pouco mudou. Médicos continuam protegendo médicos ainda que, para isso, prejudiquem a população.

Criaram uma fantasia segundo a qual os médicos são seres sacrificados, que trabalham como camelos mal remunerados em prol da população. Seria interessante checar os plantões nos postos de saúde, onde estes profissionais organizam escalas ilegais, ou a “sala da morte” da Santa Casa de Campo Grande, onde pacientes que deveriam estar em UTI´s são abandonados para morrer em silêncio.

Infelizmente a máscara da hipocrisia cabe bem na face de boa parte destes semi-deuses de branco.

Fica aqui a proposta do norte-americano Michael Moore ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que muito bem se adaptaria ao Brasil: “Quem tente lucrar com a assistência de saúde será detido pelas forças da ordem. Ir ao médico quando alguém está doente deveria ser um dos direitos humanos. É a nossa vida que está em jogo, da mesma forma que se nossa casa tivesse sido incendiada ou se fossemos vitimas de um delito. Da mesma forma que a proteção oferecida a qualquer cidadão pelos bombeiros e pela policia é completamente grátis e universal, a assistência de saúde deveria ser proporcionada GRATUITAMENTE PARA TODO MUNDO.” “...não será permitido que uma empresa obtenha lucros às custas da doença alheia”.

Violência em MS aumentou em outubro

A capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, registrou 19 homicídios e 13 tentativas de homicídio no período de 1º a 31 de outubro, segundo levantamento feito pelo blog Escrevinhamentos com base nas editorias de polícia (e geral) dos sites de notícia Midiamax e Campo Grande News. No mês de setembro haviam sido registrados 7 homicídios e 4 tentativas na capital. O aumento entre setembro e outubro, portanto, foi de cerca de 170%.

O município de Ponta Porã – na fronteira com o Paraguai – figurou nas reportagens dos dois sites de notícia como palco de 6 homicídios e 3 tentativas no mês passado, contra 1 homicídio e 1 tentativa em setembro, um aumento de 500% nos casos de morte violenta – a maior variação registrada entre os municípios sul-mato-grossenses. Ponta Porã possui pouco mais de 72 mil habitantes.

Três Lagoas – na divida entre MS e SP – também registrou aumento significativo no número de assassinatos na comparação entre setembro e outubro. Foram 4 homicídios no mês passado (e 2 tentativas) contra 1 homicídio e 3 tentativas em setembro. Um aumento de 300% no número de mortes violentas no município, que tem cerca de 85 mil habitantes.

A violência manteve-se em patamares equilibrados (apesar de elevados) em Dourados, segunda maior cidade do estado, com mais de 180 mil habitantes. No mês passado o Midiamax e o Campo Grande News haviam registrado 9 homicídios e 9 tentativas de homicídio na cidade. Em outubro, foram 5 homicídios e 13 tentativas.

O levantamento feito pelo blog Escrevinhamentos apontou a ocorrência de 56 homicídios e 49 tentativas de homicídio nos 78 municípios de Mato Grosso do Sul durante o mês de outubro.

Juventude na mira – Das 105 pessoas que foram assassinadas ou sobreviveram a tentativas de homicídio em Mato Grosso do Sul no mês de outubro, segundo o levantamento, 87 tiveram a sua idade informada nas reportagens checadas pela pesquisa. Destas, cerca de 66% apresentavam idade variando entre 10 e 29 anos. Cerca de 46% dos casos vitimaram pessoas com idade variando entre 20 e 29 anos e 20% das ocorrências (17) foram protagonizadas por jovens entre 10 e 19 anos de idade (veja a lista completa dos casos por idade mais abaixo).

Estes percentuais chocantes apontam para um problema típico dos grandes centros no País, a falta de perspectivas dos jovens, que acaba levando-os a situações extremas que colocam em risco as suas vidas e as vidas de outras pessoas.

Este fato não é novidade e tem sido confirmado por diversos estudos e pesquisas de campo nos últimos 20 anos, como o Mapa da Violência IV: os jovens do Brasil da Unesco, que analisou as causas da mortalidade juvenil na década de 1993/2002 no Brasil e concluiu que quase 30% destas mortes são causadas por armas de fogo.

Melhoras? - Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o governo do Mato Grosso do Sul gastou no ano passado 30% a mais com segurança em relação a 2006, com investimentos de R$ 540 milhões, contra R$ 415 milhões.

O Anuário aponta, ainda, redução de 1,6% na taxa de homicídios dolosos no período (24,29 para 24,05 por 100 mil habitantes) - em 2006 foram registrados 572 casos de homicídios dolosos no estado, contra 571 no ano passado. O total de latrocínios - roubo seguido de morte – aumentou significativamente (de 10, em 2006, para 22, em 2007 – para cada 100 mil habitantes) e as ocorrências de lesão corporal seguida de morte foram reduzidas de 13 para 7 (para cada 100 mil habitantes).

Nesta semana, o governador do estado, André Puccinelli (PMDB), disse que a segurança pública é prioridade em seu governo. Que, de fato, possamos checar isso em números.

Para ver as estatísticas da violência em MS em setembro e uma análise sobre a violência no estado clique aqui.

Casos de homicídio e tentativas de homicídio registrados em MS no mês de outubro, relacionados à idade das vítimas

1-9 (00) – 0%
10-19 (17) – 20%
20-29 (40) – 46%
30-39 (12) – 14%
40-49 (9) – 10%
50-59 (3) – 3%
60 + (6) – 7%
Idade não revelada (18)

Casos de homicídio e tentativas de homicídio registrados em MS no mês de outubro, relacionados aos municípios.

Amambaí (33.396 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 2

Aquidauana (44.904 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1

Bataguassu (18.679 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 3

Bataiporã (10.559 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1

Caarapó (22.705 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1

Camapuã (13.193 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Campo Grande (724.638 habitantes)
Homicídios: 19
Tentativa de Homicídio: 13

Chapadão do Sul (16.194 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 1

Coronel Sapucaia (13.912 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Corumbá (96.343 habitantes)
Homicídios: 3
Tentativa de Homicídio: 3

Dourados (182.747 habitantes)
Homicídios: 5
Tentativa de Homicídio: 13

Eldorado (11.947 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Glória de Dourados (9.646 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 2

Guia Lopes da Laguna (10.182 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Ivinhema (20.583 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 2

Juti (5.358 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Maracajú (30.924 habitantes)
Homicídios: 4
Tentativa de Homicídio: 2

Mundo Novo (15.968 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1

Naviraí (43.404 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Nova Alvorada do Sul (12.121 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Paranaíba (38.692 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1

Ponta Porã (72.206 habitantes)
Homicídios: 6
Tentativa de Homicídio: 3

Rio Brilhante (26.560 habitantes)
Homicídios: 3
Tentativa de Homicídio: 0

São Gabriel do Oeste (21.052 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Sidrolândia (38.139 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Sete Quedas (10.659 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0

Tacuru (9.271 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1

Três Lagoas (85.376 habitantes)
Homicídios: 4
Tentativa de Homicídio: 2
Victor Barone