Semana On

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Prêmio Esso

Confira aqui os 38 jornalistas que estão na final do Prêmio Esso de Jornalismo.

Corrupção em MS

Reportagem intitulada “Artuzi quer sindicância nas contas”, assinada pelas jornalistas Fernanda Brigatti e Milena Cretani, do jornal O Estado (MS), foi incluída hoje na relação de notícias do site Deu no Jornal, especializado em reportagens sobre corrupção e seu combate.

Ele é só um homem

No último dia 5 escrevi um artigo intitulado Obama, Lula e meu medo, no qual falo de meus receios sobre as pressões que já estão sobre os ombros do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. As cobranças serão pesadas, das mais ridículas às irrealizáveis. Em Los Angeles, cartazes retratam Obama como Superman. No blog Gjol a situação foi definida como uma “receita para a decepção”. Concordo, receoso.

Ah, tá, agora eu entendi - III

Espera aí, deixa ver se entendi.
Quer dizer que nós trabalhamos sob o risco de insalubridade, mas a Universidade não vai nos pagar o adicional a que temos direito embora saiba que, quando sairmos daqui, poderemos cobrar isso?
Sim.
Ah, tá, agora eu entendi...
PS: Está aconteceu de verdade, do jeitinho que está descrito, em uma universidade particular aqui de Campo Grande - MS

Imparciais?

Na segunda-feira publiquei um comentário sobre o mito da isenção no Jornalismo. Na terça, em seu blog Webmanário, o jornalista Alec Duarte refletiu sobre o mesmo tema sob o título O mito da imparcialidade dos jornais. Vale conferir.

Lista dos Maus Pagadores da Imprensa em MS

Nada mais gostoso para quem gosta de escrever do que ver um texto seu publicado. No entanto, para nós, jornalistas, além do prazer, a escrita é um ofício. Portanto, aliado ao prazer de escrever, temos que ser remunerados por isso. Nada pior que desenvolver seu trabalho honestamente e não receber o combinado por ele. Infelizmente, em Mato Grosso do Sul, proliferam os maus pagadores nesta área. Por isso dei início aqui no blog a um espaço para que possamos denunciá-los e alertar os colegas sobre eles. Portanto, denuncie. Se algum veículo ficou lhe devendo, envie uma mensagem para que possamos incluí-lo na Lista dos Maus Pagadores da Imprensa em MS. A partir de hoje, o link da lista estará permanentemente disponível na barra direita do blog.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A covardia contra os idosos no Brasil

A agressão ao idoso configura-se em ato de acometimento ou omissão, que pode ser tanto intencional como involuntário. O abuso pode ser de natureza física ou psicológica ou pode envolver maus tratos de ordem financeira ou material. Qualquer que seja o tipo de abuso, certamente resultará em sofrimento desnecessário, lesão ou dor, perda ou violação dos direitos humanos e uma redução na qualidade de vida do idoso.
Organização Mundial da Saúde (2002)


Quando o Estatuto do Idoso foi aprovado, em setembro de 2003, lembro-me de pensar sobre os motivos que levavam a necessidade de oficialização de normas éticas que já deveriam ser parte da conduta das pessoas. Na mesma linha de raciocínio, o jornal O Estado de São Paulo publicou na época um editorial no qual argumentava o quanto seria bom que o ordenamento jurídico não precisasse normatizar o que a sensibilidade humana deveria estabelecer como prática: o respeito aos mais velhos. “Até parece estranho ter que punir pessoas, com penas privativas de liberdade, para que a sociedade tome consciência da necessidade de dar um mínimo de proteção aos que logram atingir idade mais avançada - e por isso merecem ser premiados pela vida, não castigados”, finalizava o editorial do Estadão. Mais estranho é constatar que a violência contra o idoso, longe de ter diminuído de 2003 para cá, tem se configurado em uma perversa realidade no Brasil. Apenas nos últimos 33 dias, onze casos de agressão (alguns levando a morte) foram registrados no País (veja o Mapa da Covardia – que atualizarei até outubro do ano que vem).

Veja o mapa atualizado semanalmente


Exibir mapa ampliado

São muitos os estudos que indicam esta situação vergonhosa. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, por exemplo, mostra que dos 93 mil idosos que são internados a cada ano no Sistema Único de Saúde (SUS), 27% são vítimas de violência. Só em 2007, 116 mil pessoas acima dos 60 anos foram agredidas Brasil afora, segundo dados do Governo Federal. Outro levantamento feito pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB) revela que 12% dos 19 milhões de idosos brasileiros já sofreram maus-tratos e que, pasmem, 54% das agressões são causadas pelos próprios filhos.

O que poderia parecer um erro da pesquisa (dado o absurdo da situação) confirma-se por meio de outro estudo - realizado pelo núcleo de pesquisa do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), em São Paulo - mostrando que 39,6% das pessoas que agridem idosos são os próprios filhos, vizinhos (20,3%) e demais familiares (9,3%).

Segundo o professor-doutor Vicente Faleiros (da UCB), os dados são preocupantes e servem de alerta para a população. “Existem duas dimensões para esse problema: história familiar, que pode ter contribuído para um conflito entre pai e filho e a questão econômica, que provoca o conflito por renda. Seja qual for o motivo, a questão é grave. Há uma cultura no Brasil de que velho é descartável, inútil e já passou do tempo”, afirma.

As ocorrências registradas com maior freqüência pela pesquisa do IBCCRIM foram ameaças (26,93%) e lesão corporal (12,5%). Mas elas também incluem uso indevido do dinheiro do idoso, negligência, abandono e até mesmo a violência sexual, registrada em oito cidades brasileiras.

O estudo do IBCCRIM mostrou, ainda, uma faceta dolorosa desta crise moral que se abate sobre a família brasileira, o fato de parte das ocorrências registradas serem retiradas pelos idosos dias após a denúncia. O motivo: a maior parte dos idosos vive com o agressor (filhos, netos etc).

Todos estes números, no entanto, podem ser apenas a ponta do iceberg. Para o coordenador de Saúde do Idoso do Ministério da Saúde, José Luís Telles, o número de idosos que entram no SUS por maus-tratos é subestimado. "Muitos desses maus-tratos não chegam ao hospital, não chegam sequer ao serviço de saúde, então não são registrados por agressões ou maus-tratos. As situações de violência são muito maiores do que as que nós vemos nos serviços de saúde", afirma. Para monitorar esse quadro, o Ministério da Saúde está desenvolvendo mecanismos como o Observatório Nacional do Idoso.

O envolvimento do poder público e da sociedade na luta contra esta covardia acoitada entre quatro paredes é imprescindível, em especial devido ao fato de que a tendência é que ela se torne ainda mais comum, já que a população idosa no Brasil está aumentando exponencialmente. Hoje, ela representa 10,2% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 2020 os brasileiros com 60 anos ou mais deverão somar 25 milhões de pessoas. O número de brasileiros com mais de 70 anos vai quintuplicar até 2050, chegando a 34,3 milhões pessoas, ainda segundo o IBGE.

Para Vicente Faleiros, uma das estratégias para o combate à violência contra idosos é a criação de mecanismos de denúncia como o disque-idoso, que já funciona em algumas capitais como Manaus, Teresina, Belo Horizonte e, mais recentemente, no Distrito Federal. Em São Paulo, os casos de agressão a idosos motivam cerca de 200 ligações mensais ao disque-denúncia, perdendo apenas para denúncias sobre tráfico de drogas, jogos de azar e agressões contra crianças.

Em MS - O presidente do Conselho Municipal do Idoso e da Associação dos Aposentados de Mato Grosso do Sul, Valdir Miranda Osório, diz que é significativa a violência praticada contra integrantes da terceira idade em Campo Grande (MS). Conforme Osório, são comuns as queixas contra noras, genros, filhos e netos. A população idosa na em Campo Grande é de 57 mil pessoas, no Estado o número é de 202 mil.

Lula e a imprensa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compreende bem o papel da imprensa em uma sociedade democrática. Deu mostras disso, mais uma vez, na terça passada.

Em discurso proferido na noite do dia 22 de outubro, em Nova York – onde recebeu o Prêmio Inter Press Service (IPS) International 2008, concedido a personalidades engajadas na luta pelos direitos humanos e pela justiça social – defendeu a liberdade de imprensa: “A liberdade de imprensa é uma garantia contra os desmandos do poder e eu sou o resultado da democracia e da liberdade de imprensa. Nunca teria chegado à Presidência da República do meu país e não seria o que sou se não fosse a democracia", afirmou na oportunidade.

Na terça-feira (4), durante a inauguração da segunda casa de força da usina hidrelétrica da Tucuruí, no Pará, o presidente, na contramão, criticou a atuação da imprensa que, em sua opinião, destaca as coisas ruins em detrimento das boas. “Ou será que a nossa cabeça está condicionada a pensar que o bom é obrigação fazer e só o mal tem que mostrar”, questionou.
Fica claro que, na concepção do presidente, liberdade de imprensa é boa quando as notícias o agradam.

Frases - III

“...pesquisas de opinião em países sujeitos à ditadura são, no mínimo, questionáveis. Feita da Alemanha nazista, na Itália fascista, na Espanha franquista, em Portugal salarista, na Rússia soviética , onde quiserem.”

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama, Lula e meu medo

Em janeiro de 2003 tive a oportunidade de entrevistar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco depois da sua posse. O PT tomava, finalmente, o comando da nação e alimentava em muitos brasileiros a esperança de um futuro melhor. Tendo isso em mente, perguntei ao presidente se ele temia a possibilidade de seu governo decepcionar os milhões de eleitores que sempre haviam apostado nele e no PT como a possibilidade de uma guinada radical no jeito de se fazer política neste País. Lula, como era de se esperar, respondeu que não e disse uma frase marcante: “Acredito que só tem sentido uma pessoa como eu chegar à Presidência da República se for para fazer diferente do que foi feito até agora”.

Bom, deu no que deu. Depois de seis anos o Governo Lula não está se mostrando pior que os anteriores, mas não está sendo melhor. Falhou inexoravelmente em sepultar as práticas corrosivas da política nacional no que ela ainda tem de pior: o clientelismo, o paternalismo do Estado, a tendência de governar por decreto, um ranço autoritário do qual nossos mandatários não conseguiram se livrar. Hoje, sinto o quanto eu era ingênuo naquela época, acreditava que bem intencionados pudessem mudar o mundo.

Por isso, hoje, sou um torcedor fanático do presidente eleito dos Estados Unidos da América, o senador democrata Barack Obama. Torço com todas as forças para que seu governo seja o melhor de todos os tempos para os americanos. Faço isso, pois tenho receio.

É que há algo que não me sai da cabeça, uma relação entre o Lula de 2003 - fiel depositário da esperança da população brasileira por mudanças reais no âmbito político, econômico e social - e o presidente Obama.

Pupulam pela imprensa e pela internet odes ao primeiro presidente negro da maior nação do planeta, do maior império da história moderna, quiçá de todos os tempos. Confesso que Obama fascina, meche com nosso imaginário, nos faz pensar que a humanidade pode avançar deixando de lado anacronismos como o racismo. Mas, então, penso em Lula e faço uma relação entre o desencanto político de milhões de brasileiros e o que poderá ocorrer na América e no mundo se Barack Obama falhar em sua missão de guiar os destinos dos EUA rumo a um futuro menos belicista e egocêntrico.

No Brasil, ao compreendermos que as coroas apenas trocam de cabeça, ficamos mais céticos, mais cínicos, mais descrentes ao concluir (idiotas que éramos) que não há salvadores da pátria, que a máquina é capaz de esmigalhar as mais fundadas fantasias teóricas, que, de fato, nada nos resta na democracia representativa como alternativa de poder.

Mas lá, na América, a situação é outra. Barack Obama tem uma responsabilidade em mãos que em muito ultrapassa as fronteiras americanas e a mentalidade rasteira dos rednecks ou dos yuppies da quinta avenida.

Mais do que imprimir uma política mais humana para seus compatriotas esmagados pela mentira neoliberal que – entre outras coisas - deixa um em cada seis norte-americanos sem nenhum tipo de atendimento médico-hospitalar e outra parcela igual ou maior com planos de saúde de péssima qualidade, Obama terá que recuperar a imagem dos Estados Unidos entre seus vizinhos neste planeta esquecido do universo. E isso, creio, será de vital importância para os destinos de todos nós.

Se não for bem sucedido nesta empreitada, se os EUA continuarem a implementar uma política cega, surda e muda, focada apenas no próprio umbigo, o resultado será o fortalecimento do fundamentalismo muçulmano, do exemplo doentio do capitalismo de estado proposto pela China (e aplaudido por um bando de irresponsáveis que fecham os olhos para o fascismo, ofuscados que estão pelos lucros do mercado chinês) e da caricatura de stalinismo imposta por Hugo Chavez na Venezuela.

Se os Estados Unidos não emergirem do Governo Obama apresentando uma opção de sociedade e um modelo econômico mais racionais e humanos, os ignóbeis elegerão o Deus Mercado ou o Deus Estado como as únicas saídas para a humanidade

Ainda, se não conseguir tirar seu País da crise econômica ao mesmo tempo em que recupera as perdas sociais que os americanos da base da pirâmide tiveram nos últimos 16 anos, Obama será apontado pela elite do seu País – àquela que tem as armas para manipular os milhões de norte-americanos que acreditam que o sol gira em torno da terra, que preferem o criacionismo ao evolucuionismo ou que não são capazes de encontrar o Iraque num mapa – como uma falácia, como um exemplo do fracasso liberal, como uma confirmação das teses obtusas de superioridade racial.

E isso - façamos figa para que não ocorra – será um desastre de proporções avassaladoras.