Semana On

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Imparciais?

Na segunda-feira publiquei um comentário sobre o mito da isenção no Jornalismo. Na terça, em seu blog Webmanário, o jornalista Alec Duarte refletiu sobre o mesmo tema sob o título O mito da imparcialidade dos jornais. Vale conferir.

Lista dos Maus Pagadores da Imprensa em MS

Nada mais gostoso para quem gosta de escrever do que ver um texto seu publicado. No entanto, para nós, jornalistas, além do prazer, a escrita é um ofício. Portanto, aliado ao prazer de escrever, temos que ser remunerados por isso. Nada pior que desenvolver seu trabalho honestamente e não receber o combinado por ele. Infelizmente, em Mato Grosso do Sul, proliferam os maus pagadores nesta área. Por isso dei início aqui no blog a um espaço para que possamos denunciá-los e alertar os colegas sobre eles. Portanto, denuncie. Se algum veículo ficou lhe devendo, envie uma mensagem para que possamos incluí-lo na Lista dos Maus Pagadores da Imprensa em MS. A partir de hoje, o link da lista estará permanentemente disponível na barra direita do blog.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A covardia contra os idosos no Brasil

A agressão ao idoso configura-se em ato de acometimento ou omissão, que pode ser tanto intencional como involuntário. O abuso pode ser de natureza física ou psicológica ou pode envolver maus tratos de ordem financeira ou material. Qualquer que seja o tipo de abuso, certamente resultará em sofrimento desnecessário, lesão ou dor, perda ou violação dos direitos humanos e uma redução na qualidade de vida do idoso.
Organização Mundial da Saúde (2002)


Quando o Estatuto do Idoso foi aprovado, em setembro de 2003, lembro-me de pensar sobre os motivos que levavam a necessidade de oficialização de normas éticas que já deveriam ser parte da conduta das pessoas. Na mesma linha de raciocínio, o jornal O Estado de São Paulo publicou na época um editorial no qual argumentava o quanto seria bom que o ordenamento jurídico não precisasse normatizar o que a sensibilidade humana deveria estabelecer como prática: o respeito aos mais velhos. “Até parece estranho ter que punir pessoas, com penas privativas de liberdade, para que a sociedade tome consciência da necessidade de dar um mínimo de proteção aos que logram atingir idade mais avançada - e por isso merecem ser premiados pela vida, não castigados”, finalizava o editorial do Estadão. Mais estranho é constatar que a violência contra o idoso, longe de ter diminuído de 2003 para cá, tem se configurado em uma perversa realidade no Brasil. Apenas nos últimos 33 dias, onze casos de agressão (alguns levando a morte) foram registrados no País (veja o Mapa da Covardia – que atualizarei até outubro do ano que vem).

Veja o mapa atualizado semanalmente


Exibir mapa ampliado

São muitos os estudos que indicam esta situação vergonhosa. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, por exemplo, mostra que dos 93 mil idosos que são internados a cada ano no Sistema Único de Saúde (SUS), 27% são vítimas de violência. Só em 2007, 116 mil pessoas acima dos 60 anos foram agredidas Brasil afora, segundo dados do Governo Federal. Outro levantamento feito pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB) revela que 12% dos 19 milhões de idosos brasileiros já sofreram maus-tratos e que, pasmem, 54% das agressões são causadas pelos próprios filhos.

O que poderia parecer um erro da pesquisa (dado o absurdo da situação) confirma-se por meio de outro estudo - realizado pelo núcleo de pesquisa do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), em São Paulo - mostrando que 39,6% das pessoas que agridem idosos são os próprios filhos, vizinhos (20,3%) e demais familiares (9,3%).

Segundo o professor-doutor Vicente Faleiros (da UCB), os dados são preocupantes e servem de alerta para a população. “Existem duas dimensões para esse problema: história familiar, que pode ter contribuído para um conflito entre pai e filho e a questão econômica, que provoca o conflito por renda. Seja qual for o motivo, a questão é grave. Há uma cultura no Brasil de que velho é descartável, inútil e já passou do tempo”, afirma.

As ocorrências registradas com maior freqüência pela pesquisa do IBCCRIM foram ameaças (26,93%) e lesão corporal (12,5%). Mas elas também incluem uso indevido do dinheiro do idoso, negligência, abandono e até mesmo a violência sexual, registrada em oito cidades brasileiras.

O estudo do IBCCRIM mostrou, ainda, uma faceta dolorosa desta crise moral que se abate sobre a família brasileira, o fato de parte das ocorrências registradas serem retiradas pelos idosos dias após a denúncia. O motivo: a maior parte dos idosos vive com o agressor (filhos, netos etc).

Todos estes números, no entanto, podem ser apenas a ponta do iceberg. Para o coordenador de Saúde do Idoso do Ministério da Saúde, José Luís Telles, o número de idosos que entram no SUS por maus-tratos é subestimado. "Muitos desses maus-tratos não chegam ao hospital, não chegam sequer ao serviço de saúde, então não são registrados por agressões ou maus-tratos. As situações de violência são muito maiores do que as que nós vemos nos serviços de saúde", afirma. Para monitorar esse quadro, o Ministério da Saúde está desenvolvendo mecanismos como o Observatório Nacional do Idoso.

O envolvimento do poder público e da sociedade na luta contra esta covardia acoitada entre quatro paredes é imprescindível, em especial devido ao fato de que a tendência é que ela se torne ainda mais comum, já que a população idosa no Brasil está aumentando exponencialmente. Hoje, ela representa 10,2% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 2020 os brasileiros com 60 anos ou mais deverão somar 25 milhões de pessoas. O número de brasileiros com mais de 70 anos vai quintuplicar até 2050, chegando a 34,3 milhões pessoas, ainda segundo o IBGE.

Para Vicente Faleiros, uma das estratégias para o combate à violência contra idosos é a criação de mecanismos de denúncia como o disque-idoso, que já funciona em algumas capitais como Manaus, Teresina, Belo Horizonte e, mais recentemente, no Distrito Federal. Em São Paulo, os casos de agressão a idosos motivam cerca de 200 ligações mensais ao disque-denúncia, perdendo apenas para denúncias sobre tráfico de drogas, jogos de azar e agressões contra crianças.

Em MS - O presidente do Conselho Municipal do Idoso e da Associação dos Aposentados de Mato Grosso do Sul, Valdir Miranda Osório, diz que é significativa a violência praticada contra integrantes da terceira idade em Campo Grande (MS). Conforme Osório, são comuns as queixas contra noras, genros, filhos e netos. A população idosa na em Campo Grande é de 57 mil pessoas, no Estado o número é de 202 mil.

Lula e a imprensa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compreende bem o papel da imprensa em uma sociedade democrática. Deu mostras disso, mais uma vez, na terça passada.

Em discurso proferido na noite do dia 22 de outubro, em Nova York – onde recebeu o Prêmio Inter Press Service (IPS) International 2008, concedido a personalidades engajadas na luta pelos direitos humanos e pela justiça social – defendeu a liberdade de imprensa: “A liberdade de imprensa é uma garantia contra os desmandos do poder e eu sou o resultado da democracia e da liberdade de imprensa. Nunca teria chegado à Presidência da República do meu país e não seria o que sou se não fosse a democracia", afirmou na oportunidade.

Na terça-feira (4), durante a inauguração da segunda casa de força da usina hidrelétrica da Tucuruí, no Pará, o presidente, na contramão, criticou a atuação da imprensa que, em sua opinião, destaca as coisas ruins em detrimento das boas. “Ou será que a nossa cabeça está condicionada a pensar que o bom é obrigação fazer e só o mal tem que mostrar”, questionou.
Fica claro que, na concepção do presidente, liberdade de imprensa é boa quando as notícias o agradam.

Frases - III

“...pesquisas de opinião em países sujeitos à ditadura são, no mínimo, questionáveis. Feita da Alemanha nazista, na Itália fascista, na Espanha franquista, em Portugal salarista, na Rússia soviética , onde quiserem.”

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama, Lula e meu medo

Em janeiro de 2003 tive a oportunidade de entrevistar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco depois da sua posse. O PT tomava, finalmente, o comando da nação e alimentava em muitos brasileiros a esperança de um futuro melhor. Tendo isso em mente, perguntei ao presidente se ele temia a possibilidade de seu governo decepcionar os milhões de eleitores que sempre haviam apostado nele e no PT como a possibilidade de uma guinada radical no jeito de se fazer política neste País. Lula, como era de se esperar, respondeu que não e disse uma frase marcante: “Acredito que só tem sentido uma pessoa como eu chegar à Presidência da República se for para fazer diferente do que foi feito até agora”.

Bom, deu no que deu. Depois de seis anos o Governo Lula não está se mostrando pior que os anteriores, mas não está sendo melhor. Falhou inexoravelmente em sepultar as práticas corrosivas da política nacional no que ela ainda tem de pior: o clientelismo, o paternalismo do Estado, a tendência de governar por decreto, um ranço autoritário do qual nossos mandatários não conseguiram se livrar. Hoje, sinto o quanto eu era ingênuo naquela época, acreditava que bem intencionados pudessem mudar o mundo.

Por isso, hoje, sou um torcedor fanático do presidente eleito dos Estados Unidos da América, o senador democrata Barack Obama. Torço com todas as forças para que seu governo seja o melhor de todos os tempos para os americanos. Faço isso, pois tenho receio.

É que há algo que não me sai da cabeça, uma relação entre o Lula de 2003 - fiel depositário da esperança da população brasileira por mudanças reais no âmbito político, econômico e social - e o presidente Obama.

Pupulam pela imprensa e pela internet odes ao primeiro presidente negro da maior nação do planeta, do maior império da história moderna, quiçá de todos os tempos. Confesso que Obama fascina, meche com nosso imaginário, nos faz pensar que a humanidade pode avançar deixando de lado anacronismos como o racismo. Mas, então, penso em Lula e faço uma relação entre o desencanto político de milhões de brasileiros e o que poderá ocorrer na América e no mundo se Barack Obama falhar em sua missão de guiar os destinos dos EUA rumo a um futuro menos belicista e egocêntrico.

No Brasil, ao compreendermos que as coroas apenas trocam de cabeça, ficamos mais céticos, mais cínicos, mais descrentes ao concluir (idiotas que éramos) que não há salvadores da pátria, que a máquina é capaz de esmigalhar as mais fundadas fantasias teóricas, que, de fato, nada nos resta na democracia representativa como alternativa de poder.

Mas lá, na América, a situação é outra. Barack Obama tem uma responsabilidade em mãos que em muito ultrapassa as fronteiras americanas e a mentalidade rasteira dos rednecks ou dos yuppies da quinta avenida.

Mais do que imprimir uma política mais humana para seus compatriotas esmagados pela mentira neoliberal que – entre outras coisas - deixa um em cada seis norte-americanos sem nenhum tipo de atendimento médico-hospitalar e outra parcela igual ou maior com planos de saúde de péssima qualidade, Obama terá que recuperar a imagem dos Estados Unidos entre seus vizinhos neste planeta esquecido do universo. E isso, creio, será de vital importância para os destinos de todos nós.

Se não for bem sucedido nesta empreitada, se os EUA continuarem a implementar uma política cega, surda e muda, focada apenas no próprio umbigo, o resultado será o fortalecimento do fundamentalismo muçulmano, do exemplo doentio do capitalismo de estado proposto pela China (e aplaudido por um bando de irresponsáveis que fecham os olhos para o fascismo, ofuscados que estão pelos lucros do mercado chinês) e da caricatura de stalinismo imposta por Hugo Chavez na Venezuela.

Se os Estados Unidos não emergirem do Governo Obama apresentando uma opção de sociedade e um modelo econômico mais racionais e humanos, os ignóbeis elegerão o Deus Mercado ou o Deus Estado como as únicas saídas para a humanidade

Ainda, se não conseguir tirar seu País da crise econômica ao mesmo tempo em que recupera as perdas sociais que os americanos da base da pirâmide tiveram nos últimos 16 anos, Obama será apontado pela elite do seu País – àquela que tem as armas para manipular os milhões de norte-americanos que acreditam que o sol gira em torno da terra, que preferem o criacionismo ao evolucuionismo ou que não são capazes de encontrar o Iraque num mapa – como uma falácia, como um exemplo do fracasso liberal, como uma confirmação das teses obtusas de superioridade racial.

E isso - façamos figa para que não ocorra – será um desastre de proporções avassaladoras.

Obama

Diego Viana diz que o dom da oratória é divino. Eu completo dizendo que o dom da escrita é tão divino quanto. Portanto, recomendo o artigo Blood, toil, tears and sweat, do Viana, publicado em seu blog, Para ler sem olhar, onde ele trata das eleições americanas e de Obama. O melhor texto sobre o tema que li até o momento.

Sob o olhar do marxismo

Muito interessante a entrevista com o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, publicada segunda-feira pela Agência Carta Maior. Bandeira faz uma análise da situação político-econômica mundial sob o ponto de vista do marxismo (do marxismo por quem sabe do que está falando).

Índio pode tudo?

Não tenho o hábito de concordar com as opiniões emitidas por Diogo Mainardi, mas um fato ocorrido ontem me fez lembrar seu artigo desta semana na revista Veja, intitulado “O brasileiro Obama”. Argumenta o articulista que a mídia norte-americana procurou abafar todos os fatos que pudessem criar problemas para o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos. Segundo Mainardi, “qualquer pergunta sobre Barack Obama foi caracterizada de racismo, ou de asneira, ou de caipirice”, pela imprensa daquele País.

Ocorre que tive ontem pela manhã um debate acalorado com uma colega jornalista (por quem tenho muito carinho e admiração profissional) cujos argumentos me lembraram um pouco os que Mainardi atribuiu à imprensa pró Obama: àquela tendência de tudo perdoar, de tudo aceitar e relevar por parte de quem defendemos, apoiamos ou dependemos.

Minha concordância com as teses de Mainardi termina aqui, nesta análise pinçada do artigo – cujo conteúdo (aviso aos mais afoitos) repudio. Mas, assim como ele atribuiu à imprensa norte-americana uma leniência para com Obama, da mesma forma setores de nossa imprensa são lenientes para com a questão indígena.

Explico a situação. Recentemente escrevi um artigo intitulado A coerção ao exercício do Jornalismo no MS (reproduzido ontem no Observatório da Imprensa). Nele, faço um apanhado dos casos de agressões e ameaças a jornalistas ocorridas em Mato Grosso do Sul nos últimos oito anos. Entre os casos citados no artigo está o da equipe da MS Record (composta pelo repórter Edson Godoy, pelo repórter cinematográfico Cleiton Bernardi e pelo auxiliar Erick Machado) que foi ameaçada por índios Terena e teve seu material de trabalho confiscado enquanto gravava uma reportagem sobre a ocupação indígena da fazenda Petrópolis (no município de Miranda), de propriedade do ex-governador do estado, Pedro Pedrossian.

Ocorre que minha colega sentiu-se indignada pelo fato de eu ter exposto a agressão e as ameaças cometidas pelos índios como se fossem da mesma categoria das agressões e ameaças cometidas por políticos, mandatários e demais “civilizados”. A argumentação foi de que “índio é diferente”, que “temos que relevar” e que “chegar de mansinho nas aldeias”. Indignada, ela questionava os motivos pelos qais eu havia incluído o fato entre a lista de agressões e ameaças que compunha o artigo.

Foi uma reação típica, fundada no modo como tratamos as populações indígenas no Brasil.

É fato que a política indigenista promovida pelo Governo Federal e pela Funai nas últimas décadas é perniciosa (em especial para os próprios índios). Excluindo as poucas tribos isoladas, com pouco ou nenhum contato com a cultura do homem branco, a maioria das populações indígenas do País está imersa em bolsões entranhados em meio à civilização. Estes índios há muito abandonaram seu modo de vida dependente da coleta e da caça. Vivem, isso sim, do paternalismo governamental, de sub-empregos nas cercanias das tribos ou da devastação de suas terras (basta perguntar quem está entre os maiores contrabandistas de madeira na Amazônia). São espectros vagando entre um passado de tradições e um presente pontilhado pela presença inexorável do homem branco.

Estas populações precisam, sim, ter sua cultura preservada e incentivada, mas isso só é possível com cidadania. Muitas tribos norte-americanas mantém suas tradições imersas na cultura branca e com isso ganham em educação, formação técnico-científica e cultural o que, por conseqüência, leva desenvolvimento e melhores condições de vida a estes mesmos povos.

A visão paternalista que temos sobre os povos indígenas, esta tendência de achar que tudo é permissível para o “bom selvagem”, apenas colabora para lançar estes povos no fosso da pobreza e da desagregação. É necessário repensar o tema. Para isso, no entanto, é preciso mexer em um vespeiro no qual poucos homens públicos (e jornalistas) querem colocar a mão.

Dez propostas de Michael Moore para Obama

Vitorioso Obama, Michael Moore tem algumas propostas a fazer.

1. Retorno do alistamento militar obrigatório. Alega que as guerras do Iraque e do Afeganistão teriam terminado há tempos, caso tivesse sido restaurado o alistamento obrigatório. A novidade é que se chamaria apenas a filhos dos 5% mais ricos do país. “Permitiríamos invadir um país que não representa nenhuma ameaça para nós, se nessa ação tivessem que morrer os filhos dos ricos?” Como eles gostam de seguir vivos, porque sua vida é boa. “Neste momento nosso exército conta com 1.372.905 soldados.” “Nos EUA há 1.305.675 jovens de famílias ricas em idade para alistar-se! Ou seja que só com os filhos dos ricos já teríamos umas forças armadas com praticamente o mesmo numero de efetivos atuais. Quem poderia estar mais motivado para ir ao Iraque e defender a pátria , senão essa mesma juventude que mais vai se beneficiar de toda a operação?”

2. Quem tente lucrar com a assistência de saúde será detido pelas forças da ordem. “Ir ao médico quando alguém está doente deveria ser um dos direitos humanos. É a nossa vida que está em jogo, da mesma forma que se nossa casa tivesse sido incendiada ou se fossemos vitimas de um delito. Da mesma forma que a proteção oferecida a qualquer cidadão pelos bombeiros e pela policia é completamente grátis e universal, a assistência de saúde deveria ser proporcionada GRATUITAMENTE PARA TODO MUNDO.” “...não será permitido que uma empresa obtenha lucros às custas da doença alheia”.

3. Proibir o xarope de milho com alto conteúdo de frutose. Para comercializar um excedente de produção de milho, Richard Nixon deu subsídios à produção de xarope de milho com alto conteúdo de frutose, altamente prejudiciais à saúde. Graças a ele os fabricantes de refrigerantes e de comida rápida puderam aumentar o dobro o tamanho do que produzem, multiplicando varias vezes a obesidade dos norte-americanos. “É o nosso napalm interno.”

4. Os norte-americanos não pagarão mais impostos que os franceses. “Teoricamente um casal de franceses com dois filhos paga em média 22% de seus rendimentos como imposto, enquanto que nos EUA um casal similar paga 19%, menos que os franceses.” Mas há uma enorme diferença entre o que têm direito uma família francesa e uma norte-americana. A francesa tem direito a:- assistência de saúde grátis;- creche infantil gratuita ou praticamente gratuita;- matrícula grátis no ensino universitário;- licenças maternidade com duração mínima de 4 meses, com salário integral;- férias obrigatórias de 30 dias, com salário integral;- licenças por doença sem limite de tempo com salário integral para todos os cidadãos.Nada disso tem os norte-americanos, que gastam muitas vezes mais para ter acesso ao que os franceses tem direito gratuitamente, pagando por tanto muito menos impostos que os norte-americano, pelo que recebem de retorno.

5. Proibir todas as publicidades nos cinemas. “Em 2007 as salas de cinema ganharam 217 milhões de dólares com publicidade, 15% a mais que no ano anterior.” “Mas por que reservar a publicidade para os minutos prévios à projeção de um filme? Que tal se colocamos um anuncio de Pepsi todos os dias antes de começar as sessões do Congresso? Não se poderiam exibir os spots de Viagra numa tela antes das sessões da Broadway? Ou passar, antes da missa e aproveitando que os fieis estão congregados, algum produto da marca Victoria´s Secret?”

6. Derrotar a Al Qaeda e a próxima geração de inimigos dos EUA na base de construir poços? Não haveria forma de evitar que algum maluco faça algum atentado. “Nestes momentos existem no mundo mais de um bilhão de pessoas sem acesso a água potável e dois bilhões vivem sem qualquer tipo de saneamento. Um terço da população do mundo! Estas duas tragédias são a primeira causa de doenças e de morte no Terceiro Mundo.” “...garantiremos que todos os cidadãos do mundo tenham acesso a água potável e saneamento básico até 2020.” Custará 10 dólares por pessoa nos EUA e se estará fazendo o bem para todos eles.

7. A partir de agora, quando alguém disque o numero de informação telefônica, será atendido por uma pessoa do seu próprio lugar.

8. Conseguir que o sistema de proteção social estadunidense seja solvente até o século XXII fazendo com que os ricos paguem os que lhes corresponde. “...os ricos e os quase ricos NÃO PAGAM UM CENTAVO PARA A SEGURIDADE SOCIAL POR NADA DA RENDA QUE SUPERE OS 102.000 DOLARES.” “Se todos os estadunidenses – também os ricos – tivessem que pagar ao nosso sistema de proteção social 6,2% dos seus rendimentos, HAVERIA DINHEIRO SUFICIENTE NA SEGURIDADE SOCIAL QUASE ATÉ O COMEÇO DO SÉCULO XXII!”

9. Atualizar o juramento da lealdade. Que o juramento de lealdade passe a ser: JURO LEALDADE AO POVO DOS ESTADOS UNIDOS E À REPUBLICA QUE REPRESENTAMOS, UMA NAÇÃO QUE É PARTE DO MUNDO E EM QUE REINAM A LIBERDADE E A JUSTIÇA PARA TODOS.

10. HBO grátis para todos! “A HBO demonstra que nos EUA ainda sabemos fazer bem algumas coisas.”

Do livro "O guia de Michael para presidente", no original. Mike for president!, na edição de Temas de Hoy, Buenos Aires, 2008