Os que tremem de raiva ao identificarem um texto seu plagiado ganharam uma ferramenta muito interessante. Trata-se do plagiarismdetect, um site onde é possível fazer uma varredura na rede em busca de plágios. O jornalista Alec Duarte deu a dica em seu blog, webmanario, e eu reproduzo aqui.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Gaúchos nervosos
O jornalista Graciliano Rocha é um dos expoentes da nova geração de jornalistas saídos de Mato Grosso do Sul. Atualmente correspondente da Folha em Porto Alegre, já mostrou aos gaúchos que não foi para lá passar férias. As primeiras cicatrizes estão na pele. Graciliano foi agredido na rua por simpatizantes de José Fogaça quando ia cobrir uma entrevista coletiva do prefeito reeleito de Porto Alegre no domingo. Levou um soco no olho e alguns chutes. O motivo: matérias que denunciavam a distribuição de bônus-habitação em período eleitoral por agentes da Prefeitura (gerou um processo contra o prefeito, sob a acusação de compra de votos) e que apontavam uma investigação do TCE relativa à compra de dois imóveis de luxo efetuada pelo coordenador da campanha de Fogaça, Luiz Fernando Záchia, que foi afastado. Ossos do ofício.
domingo, 26 de outubro de 2008
Arquivo de entrevistas
Entre 2002 e 2007 fui responsável por entrevistas semanais publicadas no jornal O Estado de MS (2002/2004) e no semanário A Crítica (2003/2007). Foram mais de uma centena de entrevistas com personalidades locais e nacionais. Muito deste material está disponível apenas em versão impressa. Portanto, estou começando a digitalizar as entrevistas que considero mais interessantes como a que fiz com o presidente Lula em janeiro de 2003, com o senador Cristovam Buarque em outubro de 2005 e com o ex-deputado federal Roberto Jefferson em setembro de 2007. Paulatinamente estarei acrescentando novas entrevistas no blog conforme tiver tempo para digitar o material. Para os que se interessam por política, são fontes interessantes, em especial se comparadas aos posicionamentos que estas personalidades adotam hoje em determinados assuntos. Confira na barra à direita sob o tópico Entrevistei.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Mais "fichas-sujas"
O site Congresso em Foco publicou ontem uma matéria sobre os candidatos "fichas-sujas" que disputam o segundo turno das eleições municipais. Um total de 71,6% respondem a processos judiciais (confira a lista). Para quem não conhece alguns dos “fichas-sujas” sul-mato-grossenses, vale a pena conferir nosso artigo do dia 16.
A opinião
Em tempos onde pessoas se agarram a conceitos sobre os quais apenas arranham a superfície, defendendo-os com unhas e dentes, mais afeitas a “vencer” o interlocutor do que a estabelecer um debate onde a troca de idéias sirva como desenvolvimento pessoal, Diego Viana escreveu um maravilhoso artigo denominado “A opinião: bunda ou apêndice?” em seu blog Para ler sem olhar. Um dos melhores artigos que li nos últimos tempos.
A coerção ao exercício do jornalismo no Mato Grosso do Sul
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) divulgou neste ano, em seu estudo sobre a liberdade de imprensa no mundo, o crescimento de 244% na taxa de mortes de jornalistas nos últimos cinco anos. Segundo o levantamento, 86 profissionais de imprensa perderam a vida no exercício da profissão - ou em decorrência dele - durante o ano passado, a maior cifra desde 1994. O Brasil aparece na lista com uma morte, a de Luiz Carlos Barbon Filho. O cenário fica mais grave quando o estudo aponta que 90% dos crimes cometidos contra jornalistas seguem sem punição. Estes são números subjetivos, pois pelos menos outras duas dezenas de mortes ainda estão sendo investigadas.
O uso de coerção (física, econômica e psicológica) pra reprimir o trabalho jornalístico não é raro no Brasil, embora muitas vezes passe desapercebido, imerso nos índices de violência colhidos na sociedade como um todo. Pinçados deste contexto, estes relatos demonstram claramente que o jornalista (em especial àquele que opta por um jornalismo investigativo) trabalha constantemente no fio da navalha. Trazendo o foco para o Mato Grosso do Sul (MS), o panorama não se modifica. Nos últimos onze anos, seis jornalistas perderam a vida de forma violenta no estado.
O registro de mortes de jornalistas no MS teve início em 1997, com o assassinato do radialista Edgar Lopes de Faria (conhecido por Escaramuça), ocorrido em 29 de outubro daquele ano, em Campo Grande (capital do MS). Em 9 de junho de 2003 o jornalista Edgar Ribeiro Pereira de Oliveira, do jornal Boca do Povo, foi executado com quinze tiros, também em Campo Grande. Ambos eram conhecidos por denunciar esquemas de corrupção no estado. Em 20 de abril de 2004 foi assassinado o jornalista paraguaio Samuel Román, no município de Coronel Sapucaia (MS). Dois anos depois, o radialista Fábio Soares Barbosa, da Amambay FM, foi morto a tiros em Ponta Porã (MS). Seu sócio, José Késsio Proença Garcia (DJ JK), morreu em março de 2006 com onze tiros, na mesma cidade. Finalmente, durante a campanha eleitoral deste ano, o radialista e vereador Flávio Roberto Godoy, o Ratinho, foi assassinado em Bela Vista (MS).
É fato que o estado tem uma tradição pouco honrosa no que se refere a um jornalismo marrom “que bate para cobrar ou cobra para não bater”, o que leva alguns a questionar se algumas das vítimas fatais no estado teriam “cavado a própria cova”. No excelente artigo “O caso Tim Lopes: o mito da `mídia cidadã'”, a jornalista carioca Sylvia Moretzsohn trata o tema sob um prisma similar a este. Há que se dizer, no entanto, que seja qual for o tipo de jornalismo exercido por um profissional da área, nada justifica a ameaça, a violência. A justiça existe para sanar qualquer tipo de abuso cometido por jornalistas.
Em recente entrevista a um site de notícias de Campo Grande, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azedo, disse que os jornalistas combativos, que investigam, denunciam, correm sérios riscos no Brasil, em especial fora dos grandes centros.
“... o exercício da profissão de jornalista (em especial fora das capitais dos grandes centros) é uma atividade temerária. Se você desagrada os donos do poder político, os donos do poder econômico, você fica sujeito à pressão, à represália e à violência que, em alguns casos, desembocam no assassinato desses profissionais... o exercício da liberdade de imprensa fora desses centros é muito difícil e conseqüentemente a atividade de jornalismo nestes locais é uma atividade de altíssimo risco”, afirma o presidente da ABI.
Apesar de chocantes e definitivos, os atentados contra a vida de jornalistas não são as únicas formas de amordaçamento da imprensa e, em conseqüência, de uma democracia sadia. A ONG Project Censored aponta algumas outras como a “pressão política (de oficiais governamentais ou indivíduos poderosos), pressão econômica (de anunciantes) e pressão legal (ameaça de advogados que estão no bolso de indivíduos, corporações ou instituições).
Em MS, a coerção contra a imprensa é realizada de forma mais incisiva através de estratégias econômicas, visto que a quase totalidade dos veículos de comunicação do estado têm no poder público um importante vetor de receita. No entanto, a coerção física e psicológica estão longe de ser raras em MS. Nos últimos oito anos pelo menos dez casos do gênero podem ser identificados com facilidade. O mais recente – cujo ápice ocorreu nesta semana - envolve o diretor da TV Educativa de Mato Grosso do Sul (TVE), jornalista Carlos Voges, e o vereador campo-grandense Paulo Pedra (PDT).
Também neste ano (setembro) índios da tribo Terena agrediram uma equipe da MS Record, afiliada da emissora no Mato Grosso do Sul. O repórter Edson Godoy, o repórter cinematográfico Cleiton Bernardi e o auxiliar Erick Machado foram ameaçados e tiveram o material de trabalho confiscado enquanto gravavam uma reportagem sobre a ocupação indígena da fazenda Petrópolis (no município de Miranda), de propriedade do ex-governador do estado, Pedro Pedrossian.
Maurício Azedo considera que os jornalistas devem se precaver nestes tempos “bicudos” sem, no entanto, se acovardarem diante dos percalços da profissão. Ele aconselha: “Penso que o profissional de imprensa não tem outra opção senão mergulhar fundo na apuração dos fatos, porque o jornalismo tem um compromisso com a busca da verdade e com a busca do que é ético e adequado ao interesse público. Apesar dos riscos, os jornalistas têm que perseverar nesse caminho. Evidentemente cercando-se de cautelas”.
A seguir, um resumo dos principais casos de coerção ao exercício do jornalismo em Mato Grosso do Sul nos últimos oito anos
2000: O prefeito de Três Lagoas, Issam Fares, fez ameaças aos jornalistas de todos os veículos de comunicação da cidade, tentando com isso impedir críticas à sua administração em meio à campanha eleitoral para reeleger-se prefeito.
2005: A Missão Salesiana de Mato Grosso do Sul iniciou uma campanha de perseguição contra as jornalistas Edilce Mesnerovicz e Suki Ozaki por terem publicado - na revista Metrópole número 65 - reportagem denunciando casos de pedofilia por parte de um Bispo católico da região.
2005: O jornalista Paulo Fernandes (jornal O Estado de MS) foi vítima de agressão física (teve seu gravador quebrado) e verbal praticada pelo deputado estadual Raul Freixes (PDT) dentro da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O deputado se irritou com denúncias feitas pelo jornal.
2005: O jornalista Honório Jacometo (TV Morena) foi mantido em uma sala do Centro Especializado de Polícia (Cepol) por três horas, teve o celular confiscado e ficou incomunicável durante o período. Os policiais queriam que ele revelasse as suas fontes relacionadas ao “Caso Motel”, que resultou na morte de um casal em Campo Grande.
2006: O jornalista Ginez Cesar (jornal O Progresso) cobria a inauguração do campus II da Uniderp quando foi agredido verbalmente pelo prefeito de Dourados, Laerte Tetila, insatisfeito com reportagens sobre sua administração veiculadas pelo jornal e pela TV Morena (onde Ginez era repórter e apresentador do telejornal). Irritado, o prefeito acusou o profissional de fazer “jornalismo terrorista”.
2006: Cerca de 20 soldados do quartel da Polícia do Exército do centro de Campo Grande agrediram os repórteres fotográficos Adriano Hany (site Campo Grande News) e João Carlos Castro (jornal Folha do Povo). Hany foi imobilizado pelos militares e Castro levou socos e um pontapé no rosto. O equipamento dos jornalistas foi apreendido inicialmente e depois devolvido. Eles cobriam a morte do soldado Péricles Simões Dias.
2006: O editor de Geral do jornal Correio do Estado, Fausto Brites, foi condenado a dez meses de detenção e ao pagamento de multa de cinco salários mínimos devido à queixa-crime do ex-prefeito de Campo Grande (atual governador do estado), André Puccinelli (PMDB), que o processou depois de uma reportagem publicada no dia 11 de março de 2005 sobre lavagem de dinheiro no Esquema do Lixo ocorrido em 1999.
2007: O guarda municipal (funcionário ligado à Prefeitura de Campo Grande) Benedito Nominando Xavier agrediu a jornalista Lucyana Cabral e o repórter fotográfico Waldemir Barbosa (Jornal Ultima Hora) quando estes apuravam informações sobre o caos na saúde pública. O fato ocorreu em posto de saúde no bairro Guanandi. A equipe foi ameaçada e trancada em um quarto escuro.
Victor Barone
O uso de coerção (física, econômica e psicológica) pra reprimir o trabalho jornalístico não é raro no Brasil, embora muitas vezes passe desapercebido, imerso nos índices de violência colhidos na sociedade como um todo. Pinçados deste contexto, estes relatos demonstram claramente que o jornalista (em especial àquele que opta por um jornalismo investigativo) trabalha constantemente no fio da navalha. Trazendo o foco para o Mato Grosso do Sul (MS), o panorama não se modifica. Nos últimos onze anos, seis jornalistas perderam a vida de forma violenta no estado.
O registro de mortes de jornalistas no MS teve início em 1997, com o assassinato do radialista Edgar Lopes de Faria (conhecido por Escaramuça), ocorrido em 29 de outubro daquele ano, em Campo Grande (capital do MS). Em 9 de junho de 2003 o jornalista Edgar Ribeiro Pereira de Oliveira, do jornal Boca do Povo, foi executado com quinze tiros, também em Campo Grande. Ambos eram conhecidos por denunciar esquemas de corrupção no estado. Em 20 de abril de 2004 foi assassinado o jornalista paraguaio Samuel Román, no município de Coronel Sapucaia (MS). Dois anos depois, o radialista Fábio Soares Barbosa, da Amambay FM, foi morto a tiros em Ponta Porã (MS). Seu sócio, José Késsio Proença Garcia (DJ JK), morreu em março de 2006 com onze tiros, na mesma cidade. Finalmente, durante a campanha eleitoral deste ano, o radialista e vereador Flávio Roberto Godoy, o Ratinho, foi assassinado em Bela Vista (MS).
É fato que o estado tem uma tradição pouco honrosa no que se refere a um jornalismo marrom “que bate para cobrar ou cobra para não bater”, o que leva alguns a questionar se algumas das vítimas fatais no estado teriam “cavado a própria cova”. No excelente artigo “O caso Tim Lopes: o mito da `mídia cidadã'”, a jornalista carioca Sylvia Moretzsohn trata o tema sob um prisma similar a este. Há que se dizer, no entanto, que seja qual for o tipo de jornalismo exercido por um profissional da área, nada justifica a ameaça, a violência. A justiça existe para sanar qualquer tipo de abuso cometido por jornalistas.
Em recente entrevista a um site de notícias de Campo Grande, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azedo, disse que os jornalistas combativos, que investigam, denunciam, correm sérios riscos no Brasil, em especial fora dos grandes centros.
“... o exercício da profissão de jornalista (em especial fora das capitais dos grandes centros) é uma atividade temerária. Se você desagrada os donos do poder político, os donos do poder econômico, você fica sujeito à pressão, à represália e à violência que, em alguns casos, desembocam no assassinato desses profissionais... o exercício da liberdade de imprensa fora desses centros é muito difícil e conseqüentemente a atividade de jornalismo nestes locais é uma atividade de altíssimo risco”, afirma o presidente da ABI.
Apesar de chocantes e definitivos, os atentados contra a vida de jornalistas não são as únicas formas de amordaçamento da imprensa e, em conseqüência, de uma democracia sadia. A ONG Project Censored aponta algumas outras como a “pressão política (de oficiais governamentais ou indivíduos poderosos), pressão econômica (de anunciantes) e pressão legal (ameaça de advogados que estão no bolso de indivíduos, corporações ou instituições).
Em MS, a coerção contra a imprensa é realizada de forma mais incisiva através de estratégias econômicas, visto que a quase totalidade dos veículos de comunicação do estado têm no poder público um importante vetor de receita. No entanto, a coerção física e psicológica estão longe de ser raras em MS. Nos últimos oito anos pelo menos dez casos do gênero podem ser identificados com facilidade. O mais recente – cujo ápice ocorreu nesta semana - envolve o diretor da TV Educativa de Mato Grosso do Sul (TVE), jornalista Carlos Voges, e o vereador campo-grandense Paulo Pedra (PDT).
Também neste ano (setembro) índios da tribo Terena agrediram uma equipe da MS Record, afiliada da emissora no Mato Grosso do Sul. O repórter Edson Godoy, o repórter cinematográfico Cleiton Bernardi e o auxiliar Erick Machado foram ameaçados e tiveram o material de trabalho confiscado enquanto gravavam uma reportagem sobre a ocupação indígena da fazenda Petrópolis (no município de Miranda), de propriedade do ex-governador do estado, Pedro Pedrossian.
Maurício Azedo considera que os jornalistas devem se precaver nestes tempos “bicudos” sem, no entanto, se acovardarem diante dos percalços da profissão. Ele aconselha: “Penso que o profissional de imprensa não tem outra opção senão mergulhar fundo na apuração dos fatos, porque o jornalismo tem um compromisso com a busca da verdade e com a busca do que é ético e adequado ao interesse público. Apesar dos riscos, os jornalistas têm que perseverar nesse caminho. Evidentemente cercando-se de cautelas”.
A seguir, um resumo dos principais casos de coerção ao exercício do jornalismo em Mato Grosso do Sul nos últimos oito anos
2000: O prefeito de Três Lagoas, Issam Fares, fez ameaças aos jornalistas de todos os veículos de comunicação da cidade, tentando com isso impedir críticas à sua administração em meio à campanha eleitoral para reeleger-se prefeito.
2005: A Missão Salesiana de Mato Grosso do Sul iniciou uma campanha de perseguição contra as jornalistas Edilce Mesnerovicz e Suki Ozaki por terem publicado - na revista Metrópole número 65 - reportagem denunciando casos de pedofilia por parte de um Bispo católico da região.
2005: O jornalista Paulo Fernandes (jornal O Estado de MS) foi vítima de agressão física (teve seu gravador quebrado) e verbal praticada pelo deputado estadual Raul Freixes (PDT) dentro da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O deputado se irritou com denúncias feitas pelo jornal.
2005: O jornalista Honório Jacometo (TV Morena) foi mantido em uma sala do Centro Especializado de Polícia (Cepol) por três horas, teve o celular confiscado e ficou incomunicável durante o período. Os policiais queriam que ele revelasse as suas fontes relacionadas ao “Caso Motel”, que resultou na morte de um casal em Campo Grande.
2006: O jornalista Ginez Cesar (jornal O Progresso) cobria a inauguração do campus II da Uniderp quando foi agredido verbalmente pelo prefeito de Dourados, Laerte Tetila, insatisfeito com reportagens sobre sua administração veiculadas pelo jornal e pela TV Morena (onde Ginez era repórter e apresentador do telejornal). Irritado, o prefeito acusou o profissional de fazer “jornalismo terrorista”.
2006: Cerca de 20 soldados do quartel da Polícia do Exército do centro de Campo Grande agrediram os repórteres fotográficos Adriano Hany (site Campo Grande News) e João Carlos Castro (jornal Folha do Povo). Hany foi imobilizado pelos militares e Castro levou socos e um pontapé no rosto. O equipamento dos jornalistas foi apreendido inicialmente e depois devolvido. Eles cobriam a morte do soldado Péricles Simões Dias.
2006: O editor de Geral do jornal Correio do Estado, Fausto Brites, foi condenado a dez meses de detenção e ao pagamento de multa de cinco salários mínimos devido à queixa-crime do ex-prefeito de Campo Grande (atual governador do estado), André Puccinelli (PMDB), que o processou depois de uma reportagem publicada no dia 11 de março de 2005 sobre lavagem de dinheiro no Esquema do Lixo ocorrido em 1999.
2007: O guarda municipal (funcionário ligado à Prefeitura de Campo Grande) Benedito Nominando Xavier agrediu a jornalista Lucyana Cabral e o repórter fotográfico Waldemir Barbosa (Jornal Ultima Hora) quando estes apuravam informações sobre o caos na saúde pública. O fato ocorreu em posto de saúde no bairro Guanandi. A equipe foi ameaçada e trancada em um quarto escuro.
Victor Barone
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Os ingleses estão vendo
O jornalista Marcelo Soares postou a pouco em seu blog um artigo publicado hoje no site do jornal inglês Economist, sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil.. A seguir o artigo traduzido por Marcelo:
Uma das várias coisas que permaneceram iguais no Brasil depois do fim do regime militar em 1985 foi a necessidade de os jornalistas obterem um diploma e um registro junto ao ministério do trabalho. Quando a lei que estipulou isso foi criada, em 1967, ela criou uma forma útil de evitar que encrenqueiros dessem sua opinião. Ela sobreviveu porque o Brasil costuma ser lento em desfazer tais anacronismos, mas também porque convém aos sindicatos de jornalistas manter a lojinha fechada.
Agora, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se elimina essa lei. Ao mesmo tempo, o ministério da educação pondera se qualquer brasileiro com grau universitário poderia obter um diploma que lhe permita escrever (um pré-requisito que, de saída, ainda excluiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva).
"A qualidade do jornalismo no Brasil sofreria se as regras mudassem", afirma Celso Schröder, da Federação Nacional dos Jornalistas. Isso é questionável. Boa parte do jornalismo do Brasil é boa e robustamente independente, particularmente quando se comparado com a mídia do México ou da Argentina. Mas isso tem menos a ver com os diplomas brandidos pelos profissionais do que com a competitividade do mercado de jornais e revistas. Embora haja apenas poucos canais de TV disponíveis para todos, eles fazem um trabalho bastante bom de cobrir o que está acontecendo para aqueles que assistem às notícias, ao invés de lê-las.
A maior falha na mídia brasileira tem a ver com a propriedade de emissoras de rádio e jornais de província. Segundo o Donos da Mídia, um grupo de monitoramento, 271 políticos (definidos como legisladores estaduais ou federais, ou prefeitos) são ou diretores ou sócios de empresas de mídia. Surpreendentemente, os dois estados com a maior incidência de donos-políticos são Minas Gerais e São Paulo, no desenvolvido sudeste. Nenhum diploma pode garantir jornalismo independente da parte desses mini-Berlusconis.
Uma das várias coisas que permaneceram iguais no Brasil depois do fim do regime militar em 1985 foi a necessidade de os jornalistas obterem um diploma e um registro junto ao ministério do trabalho. Quando a lei que estipulou isso foi criada, em 1967, ela criou uma forma útil de evitar que encrenqueiros dessem sua opinião. Ela sobreviveu porque o Brasil costuma ser lento em desfazer tais anacronismos, mas também porque convém aos sindicatos de jornalistas manter a lojinha fechada.
Agora, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se elimina essa lei. Ao mesmo tempo, o ministério da educação pondera se qualquer brasileiro com grau universitário poderia obter um diploma que lhe permita escrever (um pré-requisito que, de saída, ainda excluiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva).
"A qualidade do jornalismo no Brasil sofreria se as regras mudassem", afirma Celso Schröder, da Federação Nacional dos Jornalistas. Isso é questionável. Boa parte do jornalismo do Brasil é boa e robustamente independente, particularmente quando se comparado com a mídia do México ou da Argentina. Mas isso tem menos a ver com os diplomas brandidos pelos profissionais do que com a competitividade do mercado de jornais e revistas. Embora haja apenas poucos canais de TV disponíveis para todos, eles fazem um trabalho bastante bom de cobrir o que está acontecendo para aqueles que assistem às notícias, ao invés de lê-las.
A maior falha na mídia brasileira tem a ver com a propriedade de emissoras de rádio e jornais de província. Segundo o Donos da Mídia, um grupo de monitoramento, 271 políticos (definidos como legisladores estaduais ou federais, ou prefeitos) são ou diretores ou sócios de empresas de mídia. Surpreendentemente, os dois estados com a maior incidência de donos-políticos são Minas Gerais e São Paulo, no desenvolvido sudeste. Nenhum diploma pode garantir jornalismo independente da parte desses mini-Berlusconis.
Para Rogério Christofoletti pesquisadores não produzem informação
O debate sobre a exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão está suscitando o que de pior há no espírito corporativista dos profissionais que atuam nos cursos superiores de Comunicação Social e nos sindicatos ligados à profissão no Brasil.
Em um primeiro momento eu havia identificado uma falha argumentativa no discurso destas pessoas no que o manual de “Introdução à Lógica” (Azeredo, Vânia Dutra de; Unijuí, 1997)” classifica como argumentum ad hominem, arma tradicional na retórica barata onde o argumentador rebate os argumentos contrários atacando o argumentador oponente e não o argumento proferido.
No entanto, nesta semana, o jornalista Rogério Christofoletti, professor de jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), foi mais fundo na banalização do tema ao sugerir - como argumento para a exigência do diploma de Jornalismo - que a produção de informação é área específica dos jornalistas. Para Rogério Christofoletti, portanto, professores, cientistas, especialistas de diversas áreas não produzem informação nenhuma.
Tudo começou quando o acadêmico publicou o artigo “Discussão sobre o diploma está muito ideologizada”, em seu blog Monitorando. O jornalista Maurício Tuffani rebateu algumas incongruências de Christofoletti com o artigo “O diploma de jornalismo e o estreitamento da razão”, publicado no seu blog, Laudas Críticas, e no Observatório da Imprensa.
Devido à ausência de argumentos teóricos de peso – em especial para a demonstração da imprescindibilidade do curso superior para a formação de jornalistas – os que defendem a exigência do diploma no Brasil apelam pra qualquer coisa. Foi o que fez Christofoletti com o artigo “Um estrabismo insistente estreita mais a razão”, publicado no Monitorando.
A asneira contida no artigo – a idéia absurda de que apenas jornalistas formados podem produzir informação – é compreensível se tiver origem em uma pessoa pouco afeita a produção de conhecimentos, a pesquisa e a contemporaneidade da comunicação, mas é inaceitável que seja proferida por um professor universitário, assessor do Ministério da Educação para o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) na área de jornalismo e membro de Comissão Verificadora de Curso do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina.
Felizmente, o absurdo sustentado por Christofoletti – que poderia colocar jornalismo e jornalistas em ridículo perante profissionais e pesquisadores das demais profissões – foi prontamente rebatido por Tuffani no artigo “Só jornalistas produzem informação?”.
Em um primeiro momento eu havia identificado uma falha argumentativa no discurso destas pessoas no que o manual de “Introdução à Lógica” (Azeredo, Vânia Dutra de; Unijuí, 1997)” classifica como argumentum ad hominem, arma tradicional na retórica barata onde o argumentador rebate os argumentos contrários atacando o argumentador oponente e não o argumento proferido.
No entanto, nesta semana, o jornalista Rogério Christofoletti, professor de jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), foi mais fundo na banalização do tema ao sugerir - como argumento para a exigência do diploma de Jornalismo - que a produção de informação é área específica dos jornalistas. Para Rogério Christofoletti, portanto, professores, cientistas, especialistas de diversas áreas não produzem informação nenhuma.
Tudo começou quando o acadêmico publicou o artigo “Discussão sobre o diploma está muito ideologizada”, em seu blog Monitorando. O jornalista Maurício Tuffani rebateu algumas incongruências de Christofoletti com o artigo “O diploma de jornalismo e o estreitamento da razão”, publicado no seu blog, Laudas Críticas, e no Observatório da Imprensa.
Devido à ausência de argumentos teóricos de peso – em especial para a demonstração da imprescindibilidade do curso superior para a formação de jornalistas – os que defendem a exigência do diploma no Brasil apelam pra qualquer coisa. Foi o que fez Christofoletti com o artigo “Um estrabismo insistente estreita mais a razão”, publicado no Monitorando.
A asneira contida no artigo – a idéia absurda de que apenas jornalistas formados podem produzir informação – é compreensível se tiver origem em uma pessoa pouco afeita a produção de conhecimentos, a pesquisa e a contemporaneidade da comunicação, mas é inaceitável que seja proferida por um professor universitário, assessor do Ministério da Educação para o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) na área de jornalismo e membro de Comissão Verificadora de Curso do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina.
Felizmente, o absurdo sustentado por Christofoletti – que poderia colocar jornalismo e jornalistas em ridículo perante profissionais e pesquisadores das demais profissões – foi prontamente rebatido por Tuffani no artigo “Só jornalistas produzem informação?”.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Jornalista x Vereador
O jornalista Carlos Voges, gerente da TV Educativa de Mato Grosso do Sul (TVE), não está na minha lista de amizades e nem de pessoas a quem admiro e prezo, mas isso não é motivo para deixar passar em branco um caso que deve ser investigado à fundo e, se confirmado, execrado publicamente.
Ocorre que Voges alega estar sendo alvo de agressões por parte do vereador Paulo Pedra (PDT) devido à publicação de notas no site do jornalista, segundo as quais o vereador – durante a campanha eleitoral – teria descumprido as regras do TRE ao patrocinar reuniões políticas regadas a churrasco e cerveja. As notas causaram indignação ao vereador que usou a tribuna do legislativo municipal para negar as acusações e desacatar o jornalista.
Desde então Voges tem passado por maus bocados. A primeira agressão teria ocorrido a duas semanas quando ele saía da TVE. Segundo o Boletim de Ocorrência, um assessor do vereador o teria interpelado com agressões verbais e físicas. Ontem, 22, um filho de Pedra teria causado constrangimentos ao jornalista em uma padaria de Campo Grande ao abordá-lo no caixa do estabelecimento.
Mato Grosso do Sul tem uma tradição pouco honrosa focada em uma imprensa marrom que gosta de bater e cobrar – ou cobrar para não bater. Não digo que este fato se aplique a situação acima. Mas, mesmo que se aplicasse, não seria motivo para agressões e ameaças. A justiça existe para isso.
Ocorre que Voges alega estar sendo alvo de agressões por parte do vereador Paulo Pedra (PDT) devido à publicação de notas no site do jornalista, segundo as quais o vereador – durante a campanha eleitoral – teria descumprido as regras do TRE ao patrocinar reuniões políticas regadas a churrasco e cerveja. As notas causaram indignação ao vereador que usou a tribuna do legislativo municipal para negar as acusações e desacatar o jornalista.
Desde então Voges tem passado por maus bocados. A primeira agressão teria ocorrido a duas semanas quando ele saía da TVE. Segundo o Boletim de Ocorrência, um assessor do vereador o teria interpelado com agressões verbais e físicas. Ontem, 22, um filho de Pedra teria causado constrangimentos ao jornalista em uma padaria de Campo Grande ao abordá-lo no caixa do estabelecimento.
Mato Grosso do Sul tem uma tradição pouco honrosa focada em uma imprensa marrom que gosta de bater e cobrar – ou cobrar para não bater. Não digo que este fato se aplique a situação acima. Mas, mesmo que se aplicasse, não seria motivo para agressões e ameaças. A justiça existe para isso.
Turismo abortivo
Além das belezas naturais, Mato Grosso do Sul, agora, oferece aos viajantes uma outra opção de turismo, o abortivo. Reportagem da edição de hoje do Jornal da Praça (Ponta Porã – MS) mostra que é cada vez maior o número de mulheres dos municípios sul-mato-grossenses de Maracaju, Jardim, Dourados, Campo Grande - e de outros estados - que procuram o comércio da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero (fronteira seca com Ponta Porã) para comprar a droga abortiva Cytotec.
Como resultado, muitas destas mulheres acabam nos hospitais locais com indicações de aborto natural (cerca de 150 ao mês, segundo médicos de Ponta Porã). O medicamento é indicado para problemas estomacais como úlcera, gastrite e outras complicações, mas tem o poder de causar o aborto nas primeiras semanas de gestação. Com venda proibida no Brasil o Cytotec pode ser comprado livremente no Paraguai.
Os resultados do relatório Aborto e Saúde Pública, elaborado por pesquisadores de duas universidades brasileiras - de Brasília (UnB) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - confirmam a posição do Ministério da Saúde de que a interrupção induzida da gravidez é um problema de saúde pública. A informação mais relevante do estudo é que a quantidade de mulheres que abortaram no país, cerca de 3,7 milhões, está bem acima da estimada em pesquisas anteriores, em torno de 1,5 milhão, e foi obtida a partir de questionamentos diretos às mulheres.
Victor Barone
Como resultado, muitas destas mulheres acabam nos hospitais locais com indicações de aborto natural (cerca de 150 ao mês, segundo médicos de Ponta Porã). O medicamento é indicado para problemas estomacais como úlcera, gastrite e outras complicações, mas tem o poder de causar o aborto nas primeiras semanas de gestação. Com venda proibida no Brasil o Cytotec pode ser comprado livremente no Paraguai.
Os resultados do relatório Aborto e Saúde Pública, elaborado por pesquisadores de duas universidades brasileiras - de Brasília (UnB) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - confirmam a posição do Ministério da Saúde de que a interrupção induzida da gravidez é um problema de saúde pública. A informação mais relevante do estudo é que a quantidade de mulheres que abortaram no país, cerca de 3,7 milhões, está bem acima da estimada em pesquisas anteriores, em torno de 1,5 milhão, e foi obtida a partir de questionamentos diretos às mulheres.
Victor Barone
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