O presidente Lula deu ontem autorização para que a população gaste pelos cotovelos. Com objetivo de manter o mercado interno aquecido e amenizar os efeitos da crise financeira na economia nacional o presidente disparou durante comício eleitoral em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo: "Continuem comprando as coisas que precisam". E foi além: "Este negócio de crise é assim... fala-se uma vez, duas, três e vão criando um certo medo na sociedade; depois um pânico; e depois as pessoas param de comprar. Mas eu duvido que alguém tenha sentido essa crise na empresa que trabalha".
Lula se esqueceu, ou não foi avisado, que 53% das famílias paulistanas estão endividadas e 35% destas estão com contas em atraso, segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Entre os consumidores com rendimento de até três salários mínimos, 58% têm algum tipo de dívida. Na faixa de renda de quatro a dez salários, 56% estão endividados, enquanto famílias que ganham mais de dez salários mínimos o percentual de endividamento alcança 37%.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Mais argumentos
Sensacionais os dois posts do jornalista Everton Maciel, de Pelotas, no Blog do Capeta, publicados no sábado e domingo. Mais uma vez o tema é a obrigatoriedade do "deproma" para o exercício do jornalismo.
No primeiro posto, intitulado Extra! Extra! Não existe um diploma de jornalista!, Maciel desmistifica o tema mostrando que, de fato, o tal diploma de jornalista é um mito criado por sindicalistas e professores.
No segundo post, O protecionismo não tem um sentido sustentável II , o jornalista pelotense demonstra por a mais b que não há argumentos plausíveis para a exigência.
No primeiro posto, intitulado Extra! Extra! Não existe um diploma de jornalista!, Maciel desmistifica o tema mostrando que, de fato, o tal diploma de jornalista é um mito criado por sindicalistas e professores.
No segundo post, O protecionismo não tem um sentido sustentável II , o jornalista pelotense demonstra por a mais b que não há argumentos plausíveis para a exigência.
domingo, 19 de outubro de 2008
O espetáculo no lugar do jornalismo
Às 19h22 deste domingo (19 de outubro) ligo a TV e zapeando acabo estacionando no Domingo Espetacular da Record. Um jornalista fala no estúdio sobre a morte de Eloá Cristina Pimentel, 15, assassinada pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, 22, em Santo André. Após ter sido levada ao Centro Hospitalar Santo André, a menina teve morte cerebral decretada e os pais em seguida autorizaram a doação de seus órgãos.
O jornalista da Record faz o link com uma repórter de plantão no hospital para que ela dê todos os detalhes sobre a autorização dada pela família. A jornalista avisa que os médicos responsáveis pela retirada dos órgãos farão uma coletiva e diz que o principal fato a ser esclarecido é sobre quem irá receber os órgãos da menina...
Ou seja: findo o caso que gerou centenas de horas de gravação por parte da maioria das emissoras, milhares de toques em intermináveis laudas em jornais impressos e sites de notícia, o interesse da mídia se volta para o destino dos órgãos de Eloá.
A fome por pontos de audiência não tem limites.
Pergunto: a quem interessa de fato uma cobertura segundo a segundo sobre o destino dos órgãos da jovem Eloá? O que isso trará de novo ao caso? O que acrescentará ao entendimento de um fato que ultrapassa os limites da compreensão?
Peço que não respondam de imediato. Pensem um bocadinho, deixem esfriar nos miolos os argumentos e na ponta da língua a ardência da vontade de dizer: é nosso direito informar e direito da população ser informada.
Bem, se vocês agüentam esperar, parabéns. Eu não agüento e respondo ainda com a língua quente e o cérebro atormentado por tanta hipocrisia. Uma ova! O único interesse por trás disso é vencer a luta pelo telespectador, pelos pontos na audiência.
Navegando para lá e para cá em busca de alguma base, encontro artigos, livros e teses sobre o tema. Seguem algumas coisas pinçadas desta selva.
Em seu livro Showrnalismo - A notícia como espetáculo, o jornalista José Arbex Jr. já apontava para onde caminhávamos, nós jornalistas, entorpecidos pelo "poder narcótico" da mídia.
“Os estudiosos de comunicação classificam essa exposição excessiva de alguns casos na mídia como espetacularização da notícia. Na realidade, a isso nada mais é do que a atribuição de um caráter teatral ao fato, com o acréscimo das técnicas do suspense, o que acentua a curiosidade popular, aumenta a venda de jornais e revistas e a audiência das emissoras de televisão e rádio”, afirma a jornalista Manuela Martinez em seu artigo Notícias ou Espetáculo.
Falando da cobertura política no artigo As raízes da espetacularização da notícia, Laurindo Lalo Leal Filho mostra que esta tendência de destruir a notícia em prol do espetáculo é comum a outras editorias, em especial na TV: “Há duas explicações básicas para que isso ocorra: o lucro como objetivo único das emissoras comerciais e, em decorrência, a visão da TV como fonte prioritária de entretenimento. Comecemos destrinchando a primeira explicação. No Brasil, diferentemente da maioria dos países europeus, a televisão foi concebida desde a sua origem como um empreendimento comercial, voltado para a obtenção de riquezas. Aqui não se pensou na TV como serviço público, com a responsabilidade social de, em primeiro lugar, se dirigir ao cidadão e dar a ele instrumentos para viver melhor na sociedade”.
Fico pensando se estamos ajudando a desconstruir nossa sociedade a partir da banalização da informação. Sim, pois se por um lado há os “jornalistas-animadores de auditório”, do outro há um público ávido a assistir esta demolição moral e ética.
O público parece preferir esta espetacularização da notícia na qual a televisão “registra cenas (...) apenas imaginadas nos filmes de ficção” [1], criando um ciclo vicioso que leva o leva a consumir apenas as produções sensacionalistas em detrimento das reportagens imparciais e com qualidade, pois a televisão transformou-se em “um fenômeno de massa de grande impacto na vida social” [2].
Sinceramente não sei onde vamos parar. Enquanto sindicatos e acadêmicos se esforçam por reduzir a profissão a um canudo, assuntos que realmente deveriam estar sendo debatidos à exaustão ficam perdidos nas entrelinhas.
Sei lá...
OBS: Vale checar alguma reações de jornalistas e outros profissionais no Observatório de Imprensa
[1] BARBEIRO, Herótodo & LIMA, Paulo Rodolfo de. Manual de telejornalismo: Os segredos da notícia na TV. 4ª reimpressão, editora Campus. Rio de Janeiro: 2002. Página 13.
[2] BARBEIRO & LIMA: 2002. Página 15.
Victor Barone
O jornalista da Record faz o link com uma repórter de plantão no hospital para que ela dê todos os detalhes sobre a autorização dada pela família. A jornalista avisa que os médicos responsáveis pela retirada dos órgãos farão uma coletiva e diz que o principal fato a ser esclarecido é sobre quem irá receber os órgãos da menina...
Ou seja: findo o caso que gerou centenas de horas de gravação por parte da maioria das emissoras, milhares de toques em intermináveis laudas em jornais impressos e sites de notícia, o interesse da mídia se volta para o destino dos órgãos de Eloá.
A fome por pontos de audiência não tem limites.
Pergunto: a quem interessa de fato uma cobertura segundo a segundo sobre o destino dos órgãos da jovem Eloá? O que isso trará de novo ao caso? O que acrescentará ao entendimento de um fato que ultrapassa os limites da compreensão?
Peço que não respondam de imediato. Pensem um bocadinho, deixem esfriar nos miolos os argumentos e na ponta da língua a ardência da vontade de dizer: é nosso direito informar e direito da população ser informada.
Bem, se vocês agüentam esperar, parabéns. Eu não agüento e respondo ainda com a língua quente e o cérebro atormentado por tanta hipocrisia. Uma ova! O único interesse por trás disso é vencer a luta pelo telespectador, pelos pontos na audiência.
Navegando para lá e para cá em busca de alguma base, encontro artigos, livros e teses sobre o tema. Seguem algumas coisas pinçadas desta selva.
Em seu livro Showrnalismo - A notícia como espetáculo, o jornalista José Arbex Jr. já apontava para onde caminhávamos, nós jornalistas, entorpecidos pelo "poder narcótico" da mídia.
“Os estudiosos de comunicação classificam essa exposição excessiva de alguns casos na mídia como espetacularização da notícia. Na realidade, a isso nada mais é do que a atribuição de um caráter teatral ao fato, com o acréscimo das técnicas do suspense, o que acentua a curiosidade popular, aumenta a venda de jornais e revistas e a audiência das emissoras de televisão e rádio”, afirma a jornalista Manuela Martinez em seu artigo Notícias ou Espetáculo.
Falando da cobertura política no artigo As raízes da espetacularização da notícia, Laurindo Lalo Leal Filho mostra que esta tendência de destruir a notícia em prol do espetáculo é comum a outras editorias, em especial na TV: “Há duas explicações básicas para que isso ocorra: o lucro como objetivo único das emissoras comerciais e, em decorrência, a visão da TV como fonte prioritária de entretenimento. Comecemos destrinchando a primeira explicação. No Brasil, diferentemente da maioria dos países europeus, a televisão foi concebida desde a sua origem como um empreendimento comercial, voltado para a obtenção de riquezas. Aqui não se pensou na TV como serviço público, com a responsabilidade social de, em primeiro lugar, se dirigir ao cidadão e dar a ele instrumentos para viver melhor na sociedade”.
Fico pensando se estamos ajudando a desconstruir nossa sociedade a partir da banalização da informação. Sim, pois se por um lado há os “jornalistas-animadores de auditório”, do outro há um público ávido a assistir esta demolição moral e ética.
O público parece preferir esta espetacularização da notícia na qual a televisão “registra cenas (...) apenas imaginadas nos filmes de ficção” [1], criando um ciclo vicioso que leva o leva a consumir apenas as produções sensacionalistas em detrimento das reportagens imparciais e com qualidade, pois a televisão transformou-se em “um fenômeno de massa de grande impacto na vida social” [2].
Sinceramente não sei onde vamos parar. Enquanto sindicatos e acadêmicos se esforçam por reduzir a profissão a um canudo, assuntos que realmente deveriam estar sendo debatidos à exaustão ficam perdidos nas entrelinhas.
Sei lá...
OBS: Vale checar alguma reações de jornalistas e outros profissionais no Observatório de Imprensa
[1] BARBEIRO, Herótodo & LIMA, Paulo Rodolfo de. Manual de telejornalismo: Os segredos da notícia na TV. 4ª reimpressão, editora Campus. Rio de Janeiro: 2002. Página 13.
[2] BARBEIRO & LIMA: 2002. Página 15.
Victor Barone
FM do Barone
A internet tem coisas deliciosas e um cara como eu, nascido nos anos 60, criado nos 70 e 80, sempre encontra umas coisinhas que muita gente já conhece, mas que é uma tremenda novidade para os filhos do vinil.. como eu. Adicionei hoje uma ferramenta que adorei, o LastFM. Com ele pode-se construir uma rádio só com os artistas e estilos que curto. Portanto, a partir de hoje, na barra ao lado, meus visitantes encontrarão minha rádio... só com gente que eu gosto. Aviso que me empolguei no ecletismo. E como meu gosto musical vai do samba ao punk rock, tem um pouquinho de tudo ali.
sábado, 18 de outubro de 2008
Resultado de uma tarde ouvindo Ira!
Enquadrado em mim
Espremido sob o fel
Repleto de Ira!
E tardes vazias
Na cabeça um sol
Emparedado em lençóis
Repleto de cinzas
E noites tardias
Trovoadas sobre sua voz
Esta ponta de chuva
A te lavar de mim
Sigo uivando Kadish
E outros poemas
Em meu novo estéreo
Victor Barone
Espremido sob o fel
Repleto de Ira!
E tardes vazias
Na cabeça um sol
Emparedado em lençóis
Repleto de cinzas
E noites tardias
Trovoadas sobre sua voz
Esta ponta de chuva
A te lavar de mim
Sigo uivando Kadish
E outros poemas
Em meu novo estéreo
Victor Barone
Mais uma peça na máquina de fazer "deproma"
Para quem acha que escola forma jornalista, mais uma entre as centenas de opções: desta vez no Senac.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Entre o martelo e a bigorna
Não sou adepto da cultura dos vigilantes, das milícias, da justiça pelas próprias mãos, dos esquadrões da morte. Mas não sou adepto também da irresponsabilidade e da hipocrisia dos que esperam as tragédias acontecerem para entoarem loas aos direitos humanos, em especial os direitos humanos dos que possuem pouco ou nenhuma humanidade.
Agora perguntarão por que motivo a polícia militar de São Paulo deixou a situação chegar ao ponto que chegou em Santo André. Porque não tomaram alguma atitude que evitasse que duas meninas de 15 anos fossem baleadas por um seqüestrador. É fácil perguntar isso agora.
Fico imaginando o que teria acontecido se a polícia tivesse usado atiradores de elite (por exemplo) para mandar para o inferno este lixo humano. Certamente, neste momento, os policiais estariam sendo chamados de assassinos, despreparados, estariam aguardando inquérito, condenados pela mídia e pela nossa intelectualidade confortavelmente sentada em suas salas de estar.
Vivemos entre o martelo e a bigorna.
Agora perguntarão por que motivo a polícia militar de São Paulo deixou a situação chegar ao ponto que chegou em Santo André. Porque não tomaram alguma atitude que evitasse que duas meninas de 15 anos fossem baleadas por um seqüestrador. É fácil perguntar isso agora.
Fico imaginando o que teria acontecido se a polícia tivesse usado atiradores de elite (por exemplo) para mandar para o inferno este lixo humano. Certamente, neste momento, os policiais estariam sendo chamados de assassinos, despreparados, estariam aguardando inquérito, condenados pela mídia e pela nossa intelectualidade confortavelmente sentada em suas salas de estar.
Vivemos entre o martelo e a bigorna.
O transeunte em meio a guerra
"O transeunte passa a ser um estorvo na guerra particular entre policiais e bandidos – na qual, ao que tudo indica, a segurança pública tornou-se um mero pretexto.
Numa conjuntura como esta, a imprensa tem a obrigação de ir além daquilo que todos estamos vendo na tela da TV ou nas fotografias. É preciso buscar o contexto dessa crise por que, senão, para que serve a imprensa? A população está perdida no meio desta guerra e o único recurso que ela tem para reverter o quadro é a informação contextualizada."
Constatação apavorante e verdadeira do jornalista Carlos Castilho em seu artigo Imprensa sem rumo na guerra do dia-a-dia, publicado hoje no Observatório de Imprensa.
Numa conjuntura como esta, a imprensa tem a obrigação de ir além daquilo que todos estamos vendo na tela da TV ou nas fotografias. É preciso buscar o contexto dessa crise por que, senão, para que serve a imprensa? A população está perdida no meio desta guerra e o único recurso que ela tem para reverter o quadro é a informação contextualizada."
Constatação apavorante e verdadeira do jornalista Carlos Castilho em seu artigo Imprensa sem rumo na guerra do dia-a-dia, publicado hoje no Observatório de Imprensa.
Diploma
"Diploma de jornalismo? Vão ler Fernão Capelo Gaivota e parem de encher o nosso saco"
Veja o artigo completo aqui.
Reinaldo Azevedo, 20 de Julho de 2006
Veja o artigo completo aqui.
Reinaldo Azevedo, 20 de Julho de 2006
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