Semana On

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Não iremos embora

O poema que segue fala do povo palestino, de seu sofrimento e persistência. Enobrece a página principal do perfil orkutiano do amigo Luiz Carlos Capssa Lima, o Cacho, lá das bandas do sul. Apesar de falar do sofrimento e da persistência de um povo que está lá longe, se reflete também na nossa realidade brasileira. Não iremos embora, apesar da loucura que nos é imposta como realidade.


NÃO IREMOS EMBORA

Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro

Tawfic Zayyad - Poeta Palestino

terça-feira, 29 de julho de 2008

Desencontrários

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

Leminsky

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Navalha

Estou nu na escuridão
Nas mãos um vazio de sons

Estou desnudo de mim
De pé sobre a fina navalha

Estou nu na escuridão
Nos olhos, assombros

Estou desnudo de mim
Aguardando a tormenta

VB

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Poema Banal

Na noite serena
Catarei pingos de estrelas
Recolherei a luz de sóis
Para enfeitar seu olhar

Na noite serena
Cobrirei teu corpo de sedas
Me apossarei do céu
Para alcançar seu sorriso

VB

quinta-feira, 17 de julho de 2008

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Guerra Civil

É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço

Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou

Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga

terça-feira, 15 de julho de 2008

Manoel

(...) poesia pra mim é a loucura das palavras, é o delírio verbal, a ressonância das letras e o ilogismo. Sempre achei que atrás da voz dos poetas moram crianças, bêbados, psicóticos. Sem eles a linguagem seria mesmal. (...) Prefiro escrever o desanormal.

Manoel de Barros

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Transparência

"...nada é tão irresistível quanto a força de de uma idéia cujo tempo chegou": do presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Carlos Ayres Britto, que, citando Victor Hugo, defende a divulgação da ficha criminal de candidatos a cargos públicos. Para ele, a sociedade tem fome de transparência.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Neruda