O poema que segue fala do povo palestino, de seu sofrimento e persistência. Enobrece a página principal do perfil orkutiano do amigo Luiz Carlos Capssa Lima, o Cacho, lá das bandas do sul. Apesar de falar do sofrimento e da persistência de um povo que está lá longe, se reflete também na nossa realidade brasileira. Não iremos embora, apesar da loucura que nos é imposta como realidade.
NÃO IREMOS EMBORA
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro
Tawfic Zayyad - Poeta Palestino
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
Desencontrários
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
Leminsky
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
Leminsky
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Navalha
Estou nu na escuridão
Nas mãos um vazio de sons
Estou desnudo de mim
De pé sobre a fina navalha
Estou nu na escuridão
Nos olhos, assombros
Estou desnudo de mim
Aguardando a tormenta
VB
Nas mãos um vazio de sons
Estou desnudo de mim
De pé sobre a fina navalha
Estou nu na escuridão
Nos olhos, assombros
Estou desnudo de mim
Aguardando a tormenta
VB
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Poema Banal
Na noite serena
Catarei pingos de estrelas
Recolherei a luz de sóis
Para enfeitar seu olhar
Na noite serena
Cobrirei teu corpo de sedas
Me apossarei do céu
Para alcançar seu sorriso
VB
Catarei pingos de estrelas
Recolherei a luz de sóis
Para enfeitar seu olhar
Na noite serena
Cobrirei teu corpo de sedas
Me apossarei do céu
Para alcançar seu sorriso
VB
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Resumindo tudo
"...nesse mundo quem não está confuso não está bem informado...".
Da minha amiga Kelly Garcia, no blog da também amiga Nanci Silva, o Maria Sem Vergonha do Cerrado.
Da minha amiga Kelly Garcia, no blog da também amiga Nanci Silva, o Maria Sem Vergonha do Cerrado.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Guerra Civil
É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.
Miguel Torga
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.
Miguel Torga
terça-feira, 15 de julho de 2008
Manoel
(...) poesia pra mim é a loucura das palavras, é o delírio verbal, a ressonância das letras e o ilogismo. Sempre achei que atrás da voz dos poetas moram crianças, bêbados, psicóticos. Sem eles a linguagem seria mesmal. (...) Prefiro escrever o desanormal.
Manoel de Barros
Manoel de Barros
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Transparência
"...nada é tão irresistível quanto a força de de uma idéia cujo tempo chegou": do presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Carlos Ayres Britto, que, citando Victor Hugo, defende a divulgação da ficha criminal de candidatos a cargos públicos. Para ele, a sociedade tem fome de transparência.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Se cada dia cai
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Neruda
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Neruda
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