Semana On

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Navalha

Estou nu na escuridão
Nas mãos um vazio de sons

Estou desnudo de mim
De pé sobre a fina navalha

Estou nu na escuridão
Nos olhos, assombros

Estou desnudo de mim
Aguardando a tormenta

VB

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Poema Banal

Na noite serena
Catarei pingos de estrelas
Recolherei a luz de sóis
Para enfeitar seu olhar

Na noite serena
Cobrirei teu corpo de sedas
Me apossarei do céu
Para alcançar seu sorriso

VB

quinta-feira, 17 de julho de 2008

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Guerra Civil

É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço

Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou

Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga

terça-feira, 15 de julho de 2008

Manoel

(...) poesia pra mim é a loucura das palavras, é o delírio verbal, a ressonância das letras e o ilogismo. Sempre achei que atrás da voz dos poetas moram crianças, bêbados, psicóticos. Sem eles a linguagem seria mesmal. (...) Prefiro escrever o desanormal.

Manoel de Barros

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Transparência

"...nada é tão irresistível quanto a força de de uma idéia cujo tempo chegou": do presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Carlos Ayres Britto, que, citando Victor Hugo, defende a divulgação da ficha criminal de candidatos a cargos públicos. Para ele, a sociedade tem fome de transparência.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Neruda

terça-feira, 8 de julho de 2008

Jardim

Que nos permitam jardins secretos
Por entre este deserto de sentidos
Pássaros no olhar em meio ao caos

Que possamos respirar o infinito
Em meio a este mar de negrume
Olhos de anjo por entre os chacais

Que sejamos como vento leve
A acariciar o inquieto furacão
Audazes na cegueira eterna

VB

domingo, 6 de julho de 2008

Jardim interior

Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.

Mario Quintana