(...) poesia pra mim é a loucura das palavras, é o delírio verbal, a ressonância das letras e o ilogismo. Sempre achei que atrás da voz dos poetas moram crianças, bêbados, psicóticos. Sem eles a linguagem seria mesmal. (...) Prefiro escrever o desanormal.
Manoel de Barros
terça-feira, 15 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Transparência
"...nada é tão irresistível quanto a força de de uma idéia cujo tempo chegou": do presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Carlos Ayres Britto, que, citando Victor Hugo, defende a divulgação da ficha criminal de candidatos a cargos públicos. Para ele, a sociedade tem fome de transparência.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Se cada dia cai
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Neruda
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Neruda
terça-feira, 8 de julho de 2008
Jardim
Que nos permitam jardins secretos
Por entre este deserto de sentidos
Pássaros no olhar em meio ao caos
Que possamos respirar o infinito
Em meio a este mar de negrume
Olhos de anjo por entre os chacais
Que sejamos como vento leve
A acariciar o inquieto furacão
Audazes na cegueira eterna
VB
Por entre este deserto de sentidos
Pássaros no olhar em meio ao caos
Que possamos respirar o infinito
Em meio a este mar de negrume
Olhos de anjo por entre os chacais
Que sejamos como vento leve
A acariciar o inquieto furacão
Audazes na cegueira eterna
VB
domingo, 6 de julho de 2008
Jardim interior
Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.
Mario Quintana
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.
Mario Quintana
sexta-feira, 4 de julho de 2008
quarta-feira, 2 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
Melhor ser ladrão que viado
Paginando a Folha Online hoje, uma matéria me chamou a atenção com o título “Não quero filho gay, diz Isabeli Fontana no programa da Hebe”. Diz o lead da matéria: “A modelo curitibana Isabeli Fontana, 24, disse, nesta segunda-feira (30), que não gostaria de ter um filho gay. A declaração da ex-mulher do ator paulista Henri Castelli, 30, foi feita durante o programa "Hebe", exibido pelo SBT, em novo horário (20h)”.
Curioso, observei uma enquete feita pela Folha dentro da reportagem perguntando: Você concorda com a fala de Isabeli sobre o desejo de não ter filho gay?. Até as 09h25 desta terça-feira, 3.423 internautas haviam votado. Destes, 1.914 (56% do total) concordaram com a modelo. Ou seja, não gostariam de ter um filho gay. Outros 1.509 (44%) disseram não concordar com a opinião da jovem (mãe de dois filhos, um de 5 e outro de um ano de idade).
Saltaram aos meus olhos dois aspectos, um positivo, outro nem tanto. Constatar que 44% das pessoas que responderam a enquete respeitariam a sexualidade de seus filhos é algo a se comemorar. O resultado poderia ter sido pior. No entanto, ainda nos restam estes 56%, a maioria preconceituosa.
Há aqueles que podem argumentar: “Não é preconceito, apenas não gostaria que MEU filho fosse gay”. Não há preconceito maior sobre a sexualidade do que este. “Os outros podem, na minha família não”. É como os obtusos que sustentam não ser contra a união entre gays, desde que esta não seja oficializada. Ou àqueles que dizem não serem preconceituosos desde que os gays não expressem sua relação abertamente.
Curioso perceber que muitas vezes a sexualidade é vista com mais reservas do que a ética e a honestidade. Muitos destes 56% certamente gostariam de ver seus filhos ostentando cargos públicos, integrando Câmaras e Assembléias. Não teriam medo de que a ética e a honestidade de seus rebentos fossem destruídas pela máquina política que transforma homens em porcos. Afinal, melhor ser ladrão do que viado.
“A loucura que tomou conta do meu povo
anda nua pelas ruas
e gargalha dos que a reconhecem,
impotentes.”
Curioso, observei uma enquete feita pela Folha dentro da reportagem perguntando: Você concorda com a fala de Isabeli sobre o desejo de não ter filho gay?. Até as 09h25 desta terça-feira, 3.423 internautas haviam votado. Destes, 1.914 (56% do total) concordaram com a modelo. Ou seja, não gostariam de ter um filho gay. Outros 1.509 (44%) disseram não concordar com a opinião da jovem (mãe de dois filhos, um de 5 e outro de um ano de idade).
Saltaram aos meus olhos dois aspectos, um positivo, outro nem tanto. Constatar que 44% das pessoas que responderam a enquete respeitariam a sexualidade de seus filhos é algo a se comemorar. O resultado poderia ter sido pior. No entanto, ainda nos restam estes 56%, a maioria preconceituosa.
Há aqueles que podem argumentar: “Não é preconceito, apenas não gostaria que MEU filho fosse gay”. Não há preconceito maior sobre a sexualidade do que este. “Os outros podem, na minha família não”. É como os obtusos que sustentam não ser contra a união entre gays, desde que esta não seja oficializada. Ou àqueles que dizem não serem preconceituosos desde que os gays não expressem sua relação abertamente.
Curioso perceber que muitas vezes a sexualidade é vista com mais reservas do que a ética e a honestidade. Muitos destes 56% certamente gostariam de ver seus filhos ostentando cargos públicos, integrando Câmaras e Assembléias. Não teriam medo de que a ética e a honestidade de seus rebentos fossem destruídas pela máquina política que transforma homens em porcos. Afinal, melhor ser ladrão do que viado.
“A loucura que tomou conta do meu povo
anda nua pelas ruas
e gargalha dos que a reconhecem,
impotentes.”
Outros Sentidos
Poesia, fotografia e artes plásticas, três linguagens que costumam caminhar separadas estão reunidas no livro “Outros Sentidos”, lançado no dia cinco de junho de 2008 em sarau no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Campo Grande. A obra traz poemas inéditos do jornalista Victor Barone, fotografias da fotógrafa Elis Regina e nanquins e arte digital de Nanci Silva – que também assina a ousada identidade gráfica do livro.O livro nasceu de forma singular: Victor é carioca e já sul-mato-grossense. Seus poemas circulavam pela internet e em ambientes literários, mas nunca tinham tomado forma impressa. Elis é fotógrafa consagrada, reconhecida em todo o país e dona de uma sensibilidade ímpar no trato com a imagem. Nanci, por sua vez, é uma apaixonada pelas artes e faz interfaces de nanquim com traços eletrônicos, criando imagens híbridas e novas concepções estéticas.
O catalisador destas três linguagens foi um grupo de amigos que se reuniu e pinçou o que havia de melhor no trabalho dos três: sonhos, fotografias e paixão. O resultado é um livro diferente, onde poemas, fotos, traços ilustrativos e projeto gráfico compõem com sinergia uma obra deliciosamente ousada, feita na raça, por amor a arte e sem nenhum patrocínio.
Independente - “Outros Sentidos” é um livro independente, não passou por editoras e não é encontrado em livrarias. A tiragem, minúscula, foi distribuída em pequenos lançamentos Brasil afora e através de contato direto com o autor.
COMPRE O LIVRO
O livro está a venda pelo sistema Pay Pal. Basta clicar no link a baixo.
O livro pode também ser adquirido com o autor pelo telefone (67) 8113-1292 ou pelo e-mail. O preço do exemplar é R$ 35,00 e o custo de envio R$ 7,00.
Verbo...
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
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