sexta-feira, 4 de julho de 2008
quarta-feira, 2 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
Melhor ser ladrão que viado
Paginando a Folha Online hoje, uma matéria me chamou a atenção com o título “Não quero filho gay, diz Isabeli Fontana no programa da Hebe”. Diz o lead da matéria: “A modelo curitibana Isabeli Fontana, 24, disse, nesta segunda-feira (30), que não gostaria de ter um filho gay. A declaração da ex-mulher do ator paulista Henri Castelli, 30, foi feita durante o programa "Hebe", exibido pelo SBT, em novo horário (20h)”.
Curioso, observei uma enquete feita pela Folha dentro da reportagem perguntando: Você concorda com a fala de Isabeli sobre o desejo de não ter filho gay?. Até as 09h25 desta terça-feira, 3.423 internautas haviam votado. Destes, 1.914 (56% do total) concordaram com a modelo. Ou seja, não gostariam de ter um filho gay. Outros 1.509 (44%) disseram não concordar com a opinião da jovem (mãe de dois filhos, um de 5 e outro de um ano de idade).
Saltaram aos meus olhos dois aspectos, um positivo, outro nem tanto. Constatar que 44% das pessoas que responderam a enquete respeitariam a sexualidade de seus filhos é algo a se comemorar. O resultado poderia ter sido pior. No entanto, ainda nos restam estes 56%, a maioria preconceituosa.
Há aqueles que podem argumentar: “Não é preconceito, apenas não gostaria que MEU filho fosse gay”. Não há preconceito maior sobre a sexualidade do que este. “Os outros podem, na minha família não”. É como os obtusos que sustentam não ser contra a união entre gays, desde que esta não seja oficializada. Ou àqueles que dizem não serem preconceituosos desde que os gays não expressem sua relação abertamente.
Curioso perceber que muitas vezes a sexualidade é vista com mais reservas do que a ética e a honestidade. Muitos destes 56% certamente gostariam de ver seus filhos ostentando cargos públicos, integrando Câmaras e Assembléias. Não teriam medo de que a ética e a honestidade de seus rebentos fossem destruídas pela máquina política que transforma homens em porcos. Afinal, melhor ser ladrão do que viado.
“A loucura que tomou conta do meu povo
anda nua pelas ruas
e gargalha dos que a reconhecem,
impotentes.”
Curioso, observei uma enquete feita pela Folha dentro da reportagem perguntando: Você concorda com a fala de Isabeli sobre o desejo de não ter filho gay?. Até as 09h25 desta terça-feira, 3.423 internautas haviam votado. Destes, 1.914 (56% do total) concordaram com a modelo. Ou seja, não gostariam de ter um filho gay. Outros 1.509 (44%) disseram não concordar com a opinião da jovem (mãe de dois filhos, um de 5 e outro de um ano de idade).
Saltaram aos meus olhos dois aspectos, um positivo, outro nem tanto. Constatar que 44% das pessoas que responderam a enquete respeitariam a sexualidade de seus filhos é algo a se comemorar. O resultado poderia ter sido pior. No entanto, ainda nos restam estes 56%, a maioria preconceituosa.
Há aqueles que podem argumentar: “Não é preconceito, apenas não gostaria que MEU filho fosse gay”. Não há preconceito maior sobre a sexualidade do que este. “Os outros podem, na minha família não”. É como os obtusos que sustentam não ser contra a união entre gays, desde que esta não seja oficializada. Ou àqueles que dizem não serem preconceituosos desde que os gays não expressem sua relação abertamente.
Curioso perceber que muitas vezes a sexualidade é vista com mais reservas do que a ética e a honestidade. Muitos destes 56% certamente gostariam de ver seus filhos ostentando cargos públicos, integrando Câmaras e Assembléias. Não teriam medo de que a ética e a honestidade de seus rebentos fossem destruídas pela máquina política que transforma homens em porcos. Afinal, melhor ser ladrão do que viado.
“A loucura que tomou conta do meu povo
anda nua pelas ruas
e gargalha dos que a reconhecem,
impotentes.”
Outros Sentidos
Poesia, fotografia e artes plásticas, três linguagens que costumam caminhar separadas estão reunidas no livro “Outros Sentidos”, lançado no dia cinco de junho de 2008 em sarau no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Campo Grande. A obra traz poemas inéditos do jornalista Victor Barone, fotografias da fotógrafa Elis Regina e nanquins e arte digital de Nanci Silva – que também assina a ousada identidade gráfica do livro.O livro nasceu de forma singular: Victor é carioca e já sul-mato-grossense. Seus poemas circulavam pela internet e em ambientes literários, mas nunca tinham tomado forma impressa. Elis é fotógrafa consagrada, reconhecida em todo o país e dona de uma sensibilidade ímpar no trato com a imagem. Nanci, por sua vez, é uma apaixonada pelas artes e faz interfaces de nanquim com traços eletrônicos, criando imagens híbridas e novas concepções estéticas.
O catalisador destas três linguagens foi um grupo de amigos que se reuniu e pinçou o que havia de melhor no trabalho dos três: sonhos, fotografias e paixão. O resultado é um livro diferente, onde poemas, fotos, traços ilustrativos e projeto gráfico compõem com sinergia uma obra deliciosamente ousada, feita na raça, por amor a arte e sem nenhum patrocínio.
Independente - “Outros Sentidos” é um livro independente, não passou por editoras e não é encontrado em livrarias. A tiragem, minúscula, foi distribuída em pequenos lançamentos Brasil afora e através de contato direto com o autor.
COMPRE O LIVRO
O livro está a venda pelo sistema Pay Pal. Basta clicar no link a baixo.
O livro pode também ser adquirido com o autor pelo telefone (67) 8113-1292 ou pelo e-mail. O preço do exemplar é R$ 35,00 e o custo de envio R$ 7,00.
Verbo...
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Mais uma das nossas "excelências"...
13% dos vereadores das capitais brasileiras têm "ficha suja", diz ONG
Cerca de 13% dos vereadores com mandato nas capitais dos Estados brasileiros têm a ficha suja, segundo pesquisa divulgada pela ONG Transparência Brasil. O levantamento aponta que, dos 709 parlamentares em atividade, 89 são acusados de cometer alguma irregularidade.
Os dados são do projeto "Excelências", que conta com informações de todos os vereadores das 26 capitais pelo Brasil.
Segundo o estudo, a cidade "campeã" é Goiânia (GO), com 32% dos políticos como réus ou punidos por Tribunais de Contas, seguida de Porto Velho (RO), com 25%. São Paulo, João Pessoa e Manaus têm 24% dos vereadores com a ficha suja.
A Transparência Brasil estima, no entanto, que o número de vereadores com alguma pendência pode ser ainda maior. Além das informações sobre vereadores, a ONG mantém dados sobre deputados estaduais, federais e senadores, num total de 2.200 registros.
Folha Online
Cerca de 13% dos vereadores com mandato nas capitais dos Estados brasileiros têm a ficha suja, segundo pesquisa divulgada pela ONG Transparência Brasil. O levantamento aponta que, dos 709 parlamentares em atividade, 89 são acusados de cometer alguma irregularidade.
Os dados são do projeto "Excelências", que conta com informações de todos os vereadores das 26 capitais pelo Brasil.
Segundo o estudo, a cidade "campeã" é Goiânia (GO), com 32% dos políticos como réus ou punidos por Tribunais de Contas, seguida de Porto Velho (RO), com 25%. São Paulo, João Pessoa e Manaus têm 24% dos vereadores com a ficha suja.
A Transparência Brasil estima, no entanto, que o número de vereadores com alguma pendência pode ser ainda maior. Além das informações sobre vereadores, a ONG mantém dados sobre deputados estaduais, federais e senadores, num total de 2.200 registros.
Folha Online
Nunca fui de rimar
a vela chama os segundos, os minutos que chegam pra se entoar a canção -
a chama da vela reflete na caneca, o café, a mesa e o pão --
e se em cada canto, em cada manto existisse um olhar que disesse não
seria o fim, não só o estopim que partilharia essa dor, essa mágua, a falta de...
reação.
se o dia estivesse e se fizesse rápido como águia, feroz como um leão
os prédios engoliriam fogo, armas e armas, fatigas de se tanto esperar por qualquer algo
qualquer algo!
então --
estaríamos quietos, a sombra em um deserto, acalmando os incertos
semeando chuva nesse verão.
catando no campo de ouro, com os olhos de alegria, esse brilhante algodão -
e o usaríamos como moeda, num caminho que não conheceria perda nem batalhas internas,
que não prestasse contas nem precisasse de perdão...
Alice Salles
a chama da vela reflete na caneca, o café, a mesa e o pão --
e se em cada canto, em cada manto existisse um olhar que disesse não
seria o fim, não só o estopim que partilharia essa dor, essa mágua, a falta de...
reação.
se o dia estivesse e se fizesse rápido como águia, feroz como um leão
os prédios engoliriam fogo, armas e armas, fatigas de se tanto esperar por qualquer algo
qualquer algo!
então --
estaríamos quietos, a sombra em um deserto, acalmando os incertos
semeando chuva nesse verão.
catando no campo de ouro, com os olhos de alegria, esse brilhante algodão -
e o usaríamos como moeda, num caminho que não conheceria perda nem batalhas internas,
que não prestasse contas nem precisasse de perdão...
Alice Salles
sábado, 28 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
...
No espelho há um velho
De olhos cansados, pele e sal
Sou eu ali no espelho
Sou eu no espelho
Sou seu
VB
De olhos cansados, pele e sal
Sou eu ali no espelho
Sou eu no espelho
Sou seu
VB
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Para lembrar quem sou...
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Fragmento do poema Açúcar, de Ferreira Gullar
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Fragmento do poema Açúcar, de Ferreira Gullar
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