terça-feira, 17 de junho de 2008
Desassossegando o mundo
Canta, poeta, canta!
Violenta o silêncio conformado.
Cega com outra luz a luz do dia.
Desassossega o mundo sossegado.
Ensina a cada alma a sua rebeldia.
Miguel Torga
Violenta o silêncio conformado.
Cega com outra luz a luz do dia.
Desassossega o mundo sossegado.
Ensina a cada alma a sua rebeldia.
Miguel Torga
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Canção amiga
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países
se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri
no jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
Drummond
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países
se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri
no jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
Drummond
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Uma frase pode conter o mundo
"Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com as palavras as entrelinhas" (Clarice Lispector)
Meu amigo Claudinho Pereira, de Porto Alegre, mandou-me esta bela citação de Clarice Lispector. Sensacional.
Meu amigo Claudinho Pereira, de Porto Alegre, mandou-me esta bela citação de Clarice Lispector. Sensacional.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Neruda
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Neruda
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Beleza
Persiste a beleza ainda que
Tudo esteja disforme
Ainda que eu me confunda
Ao olhar arredores
E perceber que já não sei
Ainda há beleza escondida
Em teu olhar de rosa
Mesmo que nas esquinas
Se escondam olhares estranhos
Que nas calçadas
Se arrastem pés cansados
Ainda que me entristeça
Ao procurar por ontens
Ainda há beleza escondida
Em teu olhar de rosa
VB
Tudo esteja disforme
Ainda que eu me confunda
Ao olhar arredores
E perceber que já não sei
Ainda há beleza escondida
Em teu olhar de rosa
Mesmo que nas esquinas
Se escondam olhares estranhos
Que nas calçadas
Se arrastem pés cansados
Ainda que me entristeça
Ao procurar por ontens
Ainda há beleza escondida
Em teu olhar de rosa
VB
Brasis...
Fato Sórdido
Um terço dos deputados e 40% dos senadores são réus ou foram condenados por delitos graves pela justiça ou pelos tribunais de contas. São 31 senadores (38% dos 81) e 185 deputados federais (36% dos 513). Os delitos de maior ocorrência entre os senadores é a compra de voto, desvio de dinheiro público e propaganda irregular. Entre os deputados os crimes mais comuns são o desvio de dinheiro público, a compra de voto e improbidade administrativa. O PMDB é o partido com mais réus (11 senadores e 38 deputados federais).
Notícia Triste
Por quatro votos a três, o plenário Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na última terça-feira, 10, que os candidatos que respondem a processo criminal na Justiça podem concorrer nas eleições, independentemente das acusações que pesem contra eles ou das condenações em primeira ou segunda instância por crimes por eles cometidos. Prevaleceu o voto do ministro Ari Pargendler, segundo o qual a Constituição Federal deixa claro que até julgamento final de uma ação, ninguém pode ser penalizado ou culpado.
Um terço dos deputados e 40% dos senadores são réus ou foram condenados por delitos graves pela justiça ou pelos tribunais de contas. São 31 senadores (38% dos 81) e 185 deputados federais (36% dos 513). Os delitos de maior ocorrência entre os senadores é a compra de voto, desvio de dinheiro público e propaganda irregular. Entre os deputados os crimes mais comuns são o desvio de dinheiro público, a compra de voto e improbidade administrativa. O PMDB é o partido com mais réus (11 senadores e 38 deputados federais).
Notícia Triste
Por quatro votos a três, o plenário Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na última terça-feira, 10, que os candidatos que respondem a processo criminal na Justiça podem concorrer nas eleições, independentemente das acusações que pesem contra eles ou das condenações em primeira ou segunda instância por crimes por eles cometidos. Prevaleceu o voto do ministro Ari Pargendler, segundo o qual a Constituição Federal deixa claro que até julgamento final de uma ação, ninguém pode ser penalizado ou culpado.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Junho
Enquanto junho se vai
Pelos olhos da menina
Se equilibra lágrima
E se esparramam os meses
Tempo de lembranças
De balanços e jardins
De saia rendada ela baila
Por entre pernas que cruzam seu
Caminho repleto de sóis
cheios de azul e de mar
E junho se esvai
por entre suas mãos pequenas
pelas faces de nunca que
por seu caminho estancam
como pedras como pedras como pedras
VB
Pelos olhos da menina
Se equilibra lágrima
E se esparramam os meses
Tempo de lembranças
De balanços e jardins
De saia rendada ela baila
Por entre pernas que cruzam seu
Caminho repleto de sóis
cheios de azul e de mar
E junho se esvai
por entre suas mãos pequenas
pelas faces de nunca que
por seu caminho estancam
como pedras como pedras como pedras
VB
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