Semana On

terça-feira, 10 de junho de 2008

Junho

Enquanto junho se vai
Pelos olhos da menina
Se equilibra lágrima
E se esparramam os meses
Tempo de lembranças
De balanços e jardins

De saia rendada ela baila
Por entre pernas que cruzam seu
Caminho repleto de sóis
cheios de azul e de mar

E junho se esvai
por entre suas mãos pequenas
pelas faces de nunca que
por seu caminho estancam
como pedras como pedras como pedras

VB

Flores para Coimbra

Que mil flores desabrochem.
Que mil flores (outras nenhumas) onde amores fenecem
que mil flores floresçam onde só dores
florescem.

Que mil flores desabrochem.
Que mil espadas (outras nenhumas não)
onde mil flores com espadas são cortadas
que mil espadas floresçam em cada mão.

Que mil espadas floresçam
onde só penas são.
Antes que amores feneçam
que mil flores desabrochem.
E outras nenhumas não.

Manuel Alegre

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Lançamento de "Outros Sentidos"



Teatro, circo, música, fotografia e poesia compuseram o sarau de lançamento do livro “Outros Sentidos” na noite da última quinta-feira, no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande (Marco).

Um dos pontos altos do evento foi a apresentação dos atores Luciana Kreutzer, Ligia Prieto e Bruno Moser que, sob a direção de Nill Amaral, declamaram poesias do livro. A noite contou também com a apresentação de Mauro Guimarães e Luciana Kuetzer, do Grupo Circo do Mato, e da cantora Maria Alice, acompanhada por Marcos Assunção no violão e pelo DJ Marquinhos Espinosa.

O sarau contou com a presença de cerca de 300 pessoas, entre jornalistas, empresários e gente ligada ao mundo das artes. Marcaram presença o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Edil Albuquerque; o ex-vereador Djalma Blans; o presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Américo Calheiros, o presidente da Academia Sul-mato-grossense de Letras, Reginaldo Alves de Araújo; o presidente da secional MS da União Brasileira de Escritores, Samuel Xavier Medeiros; o deputado estadual Pedro Kemp; a diretora do MARCO, Maisa de Barros entre outros.

O livro “Outros Sentidos” une as minhas poesias (Victor Barone) às fotografias da também jornalista Elis Regina e nanquins da publicitária Nanci Silva – que assina a identidade gráfica da obra.


A obra pode será adquirida diretamente com o autor pelo telefone (67) 8113-1292


Confira algumas fotos do lançamento no link a seguir:

http://s41.photobucket.com/albums/e270/VictorBarone/livro/

De volta...

Olá pessoal. Vou retomar meu blog. Espero que desta vez consiga manter o ritmo.
Alguns poemas recentes.

-

Estou de pé sobre asfalto quente
Sedento de um antes, de um passo a frente
Que me leve adiante, que me sustente
E me seque esta angústia

Estou aqui, a pé, descrente
Querendo uma brisa que me acalente
Que me leve adiante, como semente
E que me incendeie a alma

Aqui estou eu, aguardando um sol

VB

-

Suspirou como um gozo sofrido
e derramou-se em teu ventre
em palavras que voam.

Transbordou como mar que se cala
e libertou as amarras
em vento morno.

Semeou com mão sagrada
descortinando este céu
numa nesga de paz.

VB

-

Sou como terra devastada
Por onde caminhas com pés de seda
Por onde sopram os ventos secos
Que me roubam a lágrima

Sou como terra devastada
Onde se aninhas em busca de colo
Onde ecoam estes lamentos
Que me anoitecem a alma

És minha pétala em flor
A me elevar desta aridez
A expulsar de mim este deserto
A me despertar sabores esquecidos

És este lábio de fruta
A me recordar os sentidos

VB

sábado, 30 de dezembro de 2006

QUER SER UM PARCEIRO?

O Escrevinhamentos quer ter você como parceiro. Temos um público selecionado, composto por formadores de opinião, que pode oferecer um retorno interessante para sua empresa ou produto.

Contatos com Victor Barone
Telefone: (67) 8113-1292
MSN e E-mail:
victor.barone@globo.com

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Ainda estou aqui...

Um poema

Suspirou como um gozo sofrido
e derramou-se em teu ventre
em palavras que voam.

Transbordou como mar que se cala
e libertou as amarras
em vento morno.

Semeou com mão sagrada
descortinando este céu
numa nesga de paz.

VB

-

Receita para fazer jornalistas em cinco anos

Primeiro Semestre
Sociologia I
Filosofia I
Psicologia I
Português I
Técnicas de Redação I

Segundo Semestre
Sociologia II
Filosofia II
Psicologia II
Português II
Técnicas de Redação II

Terceiro Semestre
Sociologia III
Filosofia III
Psicologia III
Português III
Técnicas de Redação III

Quarto Semestre
Sociologia IV
Filosofia IV
Psicologia IV
Português IV
Redação (Prática de reportagem) I

Quinto Semestre
Sociologia V
Filosofia V
Psicologia V
Literatura I
Redação (Prática de reportagem) II

Sexto Semestre
História I
Literatura II
Redação (Prática de reportagem) III
Rádio e TV I
Ética I

Sétimo Semestre
História II
Literatura III
Redação (Prática de reportagem) IV
Rádio e TV II
Empreendedorismo I

Sétimo Semestre
História III
Literatura IV
Redação (Prática de reportagem)VI
Rádio e TV III
Empreendedorismo II

Oitavo Semestre
História IV
Literatura V
Redação (Prática de reportagem)VII
Rádio e TV IV
Mídias I (características do impresso, rádio, TV e online)

Nono Semestre
Redação (Prática de reportagem)VIII
Rádio e TV V
Trabalho de Conclusão de Curso

Décimo Semestre
Trabalho de Conclusão de Curso

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Os velhos anarquistas...

"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana".

Esta reflexão, feita pelo pensador anarquista russo Mikhail Bakunin, no século 19, em pleno surgimento do socialismo, não poderia ser mais atual. Em todos os momentos históricos onde o chamado “socialismo real” de tendência marxista foi implementado, o resultado foi o totalitarismo aliado a criação de uma nova elite. Das repúblicas soviéticas à China, de Cuba ao Vietnam. O resultado foi sempre o mesmo: repressão e atraso (senão econômico, dos direitos básicos e da liberdade).

Isso não significa que o socialismo esteja morto, ou que esteja fadado ao fracasso. Não. No entanto, para manter viva a chama deste ideário é necessário repensá-lo sob novas bases (ou serão velhas bases?), sob óticas menos voltadas à política partidária e mais centradas no ser humano; menos objetivadas na conquista do poder e mais focadas na construção da cidadania plena.

O pensamento dos velhos anarquistas, que acabaram isolados pelo pensamento marxista, está de volta com força total. Muito mal compreendido ainda pela esmagadora maioria, mas, ainda assim, plantando sementes interessantes para quem quer pensar uma sociedade mais solidária e livre.

Em tempo: anarquismo não significa bagunça, confusão ou desordem. Significa ausência de Governo, significa a organização máxima de uma sociedade que, em um estágio de desenvolvimento muito avançado, dispensa os mecanismos de poder que, hoje, permitem que nossos governantes cometam desmandos em nosso nome, absurdos sustentados pelo poder do voto inconsciente.

VB

sábado, 5 de agosto de 2006

Dia a dia

Se fosse aqui...

Seria muito interessante uma investigação como a que ocorreu em Rondônia aqui em Mato Grosso do Sul. Se lá a Polícia Federal prendeu 23 pessoas suspeitas de envolvimento em esquema da Assembléia Legislativa para desvio de recursos públicos e influência indevida sobre Poder Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Poder Executivo do Estado, o que acharia por aqui?Entre os presos de lá estão o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Carlos de Oliveira. Também foram presos o juiz José Jorge Ribeiro da Luz, o conselheiro do Tribunal de Contas Edilson de Souza Silva, o procurador de Justiça José Carlos Vitachi, o diretor geral da Assembléia Legislativa, José Ronaldo Palitot, servidores, assessores e familiares de deputados.A polícia informou que o grupo já desviou R$ 70 milhões.

Quem rouba ladrão...

O funcionário da limpeza da Câmara Federal Antonio Medeiros encontrou três maços de dinheiro com notas de R$ 100 no gabinete do deputado Junior Betão (PL-AC). De acordo com a polícia legislativa, o total encontroado era de R$ 2.800. O dinheiro foi devolvido ao dono. Bom exemplo para os deputados.


Briga de cachorro sarnento

O evangélico Adair Martins, dono do jornal Diário do Pantanal, foi alvo de intrigas maldosas neste sábado. Duas pessoas me ligaram para saber se eu havia visto um programa ontem na TVE Regional no qual o governador Zeca do PT teria destilado críticas ao candidato a deputado estadual. Não, vi, nem sei se realmente ocorreu. Só sei que queria ter visto. Afinal, o religioso Adair, que costuma a tomar cafezinho com Deus de manhã e fumar charuto com o capeta a noite, não é mesmo flor que se cheire...

Dor no couro

O empresário Jaime Valler, dono do jornal O Estado, anda muito chateado com o Governo Zeca, que lhe tascou alguns milhões de multa no lombo devido a sua movimentação financeira relativa a indústria do couro. Agora, quer reunir um grupo de empresários descontentes para fortalecer seu jornal e tomar fôlego para encarar a pressão até o final do mandato petista.

Cuba Libre?

Esta sacada está na Veja deste final de semana, e é um retrato fiel lá da ilha. Muda o ditador, mas a repressão é a mesma. Que digam os jornalistas proibidos de desembarcar no feudo dos Castro.

Polaco Verde

Entrevistei ontem a noite o embaixador da Polônia no Brasil, Pawel Kulka Kulpiowski. Se disse preocupado com a natureza devido a possibilidade de exploração do minério de ferro em Corumbá: “Deixo uma mensagem de que se pode conseguir aproveitar esta riqueza, que tem que ser aproveitada, mas sem deixar de proteger o Pantanal, que é uma beleza admirada por todo o mundo”, afirma.

Violência

Ao menos seis pessoas atiraram pedras e duas bombas de fabricação caseira na entrada da sinagoga da Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob, em Campinas, na noite de sexta-feira. Os artefatos explodiram e danificaram a porta principal da sinagoga. Ninguém ficou ferido. Na calçada, os agressores escreveram com tinta branca: "Líbano, o verdadeiro holocausto".A atual onda de violência entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, que teve início no dia 12 de julho, já deixou quase mil mortos. Só no Líbano, cerca de 900 pessoas morreram, sendo 800 civis. Em Israel, confrontos e foguetes do Hizbollah deixaram mais de 70 mortos, 30 civis.
O que dizer disso? Qualquer ato terrorista, seja de violência física ou psicológica, deve ser condenado e combatido. No entanto, há um terrorismo oficializado, como o que Israel promove no Oriente Médio, que deve também ser execrado. Israel se coloca acima do bem e do mal, sob a proteção dos Estados Unidos e isso pode começar a gerar distúrbios como este, ocorrido em Campinas.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Bom jornalismo

O jornalista Graciliano Rocha tem se destacado no árido deserto intelectual que é o jornalismo sul-mato-grossense (que me perdoem os cactus travestidos de escrevinhadores).

Sua série de reportagens focando o veloz enriquecimento de políticos do Estado, publicadas no site de notícias Campo Grande News é um alento aos olhos de leitores exigentes.

Seguem alguns links destas reportagens que recomendo aos que querem entender um pouquinho sobre os motivos que levam um simples mortal a tentar uma candidatuta ao Legislativo e ao Executivo.

O próspero mandato dos deputados federais de MS
O clube dos milionários da Assembléia Legislativa
O milagre da multiplicação da fortuna dos candidatos

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Diário do Pantanal

Fui chamado há dois meses atrás para organizar a Redação do jornal Diário do Pantanal. Aceitei, apesar daquele voz lá no fundo sussurrar no meu ouvido interno: “Pula fora desta seu burro!”. Não dei atenção e fui.

Deparei-me com o caos. Uma redação composta por uma equipe de quatro pessoas, das quais só podia contar com uma. Duas focas com muito caminho a percorrer na busca pelo texto final e um veterano repleto de mágoas e preguiça completavam o time. O motorista, improvisado como fotógrafo, dividia o carro entre as necessidades das pautas diárias e a campanha a deputado estadual do dono do jornal, o evangélico Adair Martins.

“Bom”, pensei, “sou muito novo ainda para assinar uma chefia de redação de um jornal de mentirinha”. Fui aos diretores e pedi apenas uma coisa, o óbvio: liberdade para mexer na Redação e no layout do jornal. Me deram, com reservas.

Os primeiros 15 dias foram de adaptação, de análise da mão de obra que tinha disponível. Me desesperei. A necessidade de trocar três dos quatro colegas era premente. Troquei um, o veterano magoado, trouxe um editor para a Polícia e a coisa começou a fluir. Posso dizer que, dentro das condições que tínhamos, me orgulho das últimas 35 edições nas quais suamos a camisa.

Infelizmente, não pude dar continuidade ao projeto. Na última sexta-feira fui informado de que o colega que dispensei voltaria ao trabalho, pois a empresa sequer tinha dinheiro para pagar-lhe os direitos trabalhistas. Além disso, as demais modificações que seriam necessárias para dar andamento no processo de transformação do Diário do Pantanal em um jornal de verdade estavam suspensas pelo mesmo motivo. Para finalizar, o candidato evangélico, mais uma vez, confundiu jornalismo com “panfletarismo”, utilizando as páginas de política para suas sandices.

Pedi demissão no sábado, com uma dorzinha lá no fundo do coração, daquelas que só sente quem ama uma Redação de jornal diário...